A partir da década de 1960, outras temáticas que envolviam as desigualdades sociais foram abordadas , com ênfase na análise das classes sociais existentes no Brasil. Assim se desenvolveram trabalhos que procuravam entender como ocorreu a formação do empresariado nacional, das classes médias , do operariado industrial e do proletariado rural. Outra tendência foi explicar e compreender como as classes sociedade brasileira - operariado, classes médias urbanos e burguesia industrial- participavam do processo de mudanças econômicas , sociais e políticas. Nas décadas seguintes (1970 e 1980) , a preocupação situou-se muito mais na análise das novas formas de participação, principalmente dos novos movimentos sociais e do novo sindicalismo. Buscava-se entender como os trabalhadores deserdados no Brasil organizavam-se para fazer valer seus direitos como cidadãos , mesmo que a maioria ainda estivesse vivendo miseravelmente . As análises ainda se baseavam nas classes sociais fundamentais da sociedade brasileira. No mesmo período e entrando na década de 1990, adicionou-se um novo componente na análise das desigualdades sociais: o foco sobre as questões relacionadas ao emprego e às condições de vida dos trabalhadores e pobres da cidade. Assim, passaram a ter primazia nas análises os temas: emprego e desemprego, mercado formal e informal de trabalho, estratégias de sobrevivência das famílias de baixa renda , mensuração da pobreza e linha de pobreza . A preocupação era conhecer a deterioração das condições de vida dos trabalhadores urbanos e das populações periféricas da cidade. A questão racial continuou presente e a questão das classes sociais permaneceu no foco, constatando-se a crescente subordinação do trabalho ao capital, tanto na cidade como no campo. A questão de gênero ganhou espaço, destacando principalmente a situação desigual das mulheres em relação à dos homens.
Teia Alimentar
Muitos animais têm alimentação variada , e outros servem de alimento a mais de uma espécie. Há também animais que , por se alimentarem de vegetais e de animais , não se prendem a um único nível trófico e podem ser consumidores primários, & secundários ou terciários. São os animais onívoros (omni= tudo; vorare= devorar), como o ser humano. Portanto, em uma comunidade há um conjunto de cadeias interligadas , que formam uma teia ou rede alimentar. Pode-se determinar o nível trófico de um animal observando seus hábitos alimentares. Nos ecossistemas terrestres os principais produtores são os vegetais . Nos aquáticos (rios , mares , lagos , etc.) , são as algas microscópicas , que formam o fitoplâncton (seres autotróficos que flutuam livremente na água). As algas servem de comida ao zooplâncton (conjunto de seres heterotróficos que também que também flutuam nas águas : protozoários pequenos invertebrados e larvas de moluscos , anelídeos , artrópodes , etc.) Entre os consumidores secundários há pequenos peixes , que são comidos por peixes maiores, por golfinhos e pelo ser humano (consumidores terciários). Em todos os ecossistemas os decompositores são formados por bactérias e fungos. Animais detritívoros são aqueles que se alimentam de matéria orgânica morta (folha que caem no solo, carcaças , fezes, etc.), como a minhoca. Os resíduos desses animais contêm matéria orgânica que será atacada pelos decompositores. Alguns autores incluem os decompositores . Alguns autores incluem os decompositores entre os detritívoros , mas , em geral , o termo decompositor é usado apenas para os organismos , como as bactérias e os fungos , que fazem a transformação completa da matéria orgânica em mineral ou inorgânica, isto é , em matéria para ser utilizada pelas plantas (água, gás carbônico e sais minerais ), portanto , os decompositores agem sobre os dejetos que os detritívoros eliminam e sobre o cadáver deles.
O Universo da Internet
A internet originou-se de um projeto militar dos Estados Unidos , na década de 1960. Naquele período , questionava-se como as autoridades estadunidenses poderiam comunicar-se caso houvesse uma guerra nuclear. Se isso acontecesse , toda a rede de comunicações poderia ser destruída e haveria necessidade de um sistema de comunicação sem controle central, baseado numa rede em que a informação circularia sem uma autoridade única. Assim nasceu um sistema no qual as informações são geradas em muitos pontos e não ficam armazenadas num único lugar, mas em todos os pontos de contato possíveis. Estes , por sua vez , podem gerar informações independentes, de tal modo que , e fossem destruídos um ou mais pontos , os outros continuariam retendo e gerando informações independentes. Posteriormente , esse modelo foi utilizado para colocar em contato pesquisadores de diferentes universidades e acabou se expandindo até atingir a maioria dos lugares. Hoje , a internet é o espaço onde há mais liberdade de produção, veiculação de mensagens , notícias , cultura e tudo o que possa ser transmitido por esse sistema. É um meio de comunicação em que se utilizam a palavra escrita ou falada , as imagens , a música e outras tentas formas de comunicação , com muita rapidez e para todos na rede. Existe , é verdade , um vocabulário restrito e mínimo para se comunicar (conversa por escrito ), o que empobrece muito a linguagem escrita , além de uma série de ícones que indicam se a pessoa está alegre , triste , nervosa , o que reduz a capacidade de expressar verbalmente esses sentimentos. Essa nova tecnologia de informação oferece possibilidades quase infinitas de pesquisa. É fato que há dados demais para a capacidade humana de processamento , mas , se você tiver o mínimo conhecimento do funcionamento da internet e seus instrumentos , poderá obter excelentes informações e com uma diversidade nunca imaginada. Portanto, dependendo de como é utilizada, a internet pode empobrecer a capacidade de pensar ou ser um instrumento para a obtenção de conhecimento. Nessa grande rede , encontram-se muitas versões de um mesmo fato, cabendo a nós descobrir bons sites e profissionais que mostrem ângulos diversos de determinado fenômeno.
O Que Caracteriza Nossa Cultura?
Na América portuguesa , no século XVI , as culturas indígenas e africanas, apesar da presença marcante , não eram reconhecidas pelos colonizadores e expressavam-se à margem da sociedade que se constituía sob o domínio lusitano. Tal sociedade tinha como principal referência a cultura europeia , que procurava imitar. Nas palavras do sociólogo Antônio Candido, em publicação de 1968 , "imitar , para nós, foi integrar , foi nos incorporarmos à cultura ocidental , da qual a nossa era um débil ramo em crescimento. Foi igualmente manifestar a tendência constante de nossa cultura , que sempre tomou os valores europeus como meta e modelo". No entanto , se o Ocidente e , depois , o Oriente nos forneceram elementos essenciais para a construção de uma cultura difusa, esta não pode ser compreendida sem suas raízes indígenas e africanas que impregnaram nosso cotidiano , desde a comida , a vestimenta e a habitação até a dança , a pintura e a música. Se ficarmos apenas com a música brasileira , encontraremos uma variedade imensa de ritmos , que são puros ou misturados , cópias ou (re)elaborações constantes , invenções e inovações , com os mais diversos instrumentos , sejam eles extremamente simples e artesanais , sejam sofisticados e eletrônicos . Para eles extremamente simples e artesanais , sejam sofisticados e eletrônicos. Para citar alguns ritmos , temos o lundu , a modinha , o choro , o maxixe , o samba ( e suas vertentes , como samba-canção, samba-exaltação, samba de carnaval". A marcha, o frevo , o baião , a valsa , a valsinha , o acalanto , a lambada , o pagode , o samba-reggae, o axé music, o tchê music , o mangue bit , a cantiga infantil , a música clássica , a ópera , a música contemporânea , além de ritmos estrangeiros como rock , blues , jazz , rap , fox, bolero e tango. Lembrando que a cultura é o resultado de um trabalho, é uma obra , pode-se observar que o trabalho cultural brasileiro é desenvolvido tanto por músicos analfabetos , sem nenhuma formação musical, como por pessoas com formação clássica , conhecidos ou anônimos. A produção musical brasileira tem traços de origem marcadamente africana , indígena , sertaneja e europeia (sem classificar o que é mais ou menos importante , simples ou complexo). Ela é fruto do trabalho de milhares de pessoas. Ainda que se possa afirmar que alguns ritmos são marcadamente brasileiros , como o maxixe , o chorinho, o frevo ou o samba , nenhum deles é "puramente brasileiro", pois as influências recebidas são as mais variadas possíveis, desde a música medieval até a contemporânea. Genuínas mesmo são as músicas , as danças e a arte plumária ou a cerâmica dos povos indígenas. As demais manifestações culturais são fusões , hibridações , criações de uma vasta e longa herança de muitas culturas. Talvez seja essa a característica que podemos chamar de "brasileira".
Está Tudo Dominado?
Várias críticas foram feitas à ideia de que a indústria cultural estaria destruindo nossa capacidade de discernimento. Uma delas foi formulada por Walter Benjamim (1886-1940) , um companheiro de trabalho de Theodor Adorno. Benjamim achava que não era preciso ser tão radical na análise e que a indústria cultural poderia ajudar a desenvolver o conhecimento , pois levaria a arte e a cultura a um número maior de pessoas. Ele declarava que, anteriormente, as obras de arte estavam a serviço de um grupo pequeno de pessoas , de uma classe privilegiada. Com as novas técnicas de reprodução - como a fotografia e o cinema- essas obras poderiam ser difundidas entre outras classes sociais, contribuindo para a emancipação da arte de seu papel ritualístico. A imagem em uma pintura , que tinha unidade e duração, foi substituída pela fotografia, que pode ser reproduzida indefinidamente. Mas Benjamim não era ingênuo ao afirmar isso: analisava a questão com mais abertura , sem perder a consciência de que o capitalismo utilizava as novas técnicas a seu favor. Que a ideologia dominante está presente em todos os produtos da indústria cultural é evidente , mas não se pode dizer que exista uma manipulação cultural integral e avassaladora , pois isso significa declarar que os indivíduos não pensam e apenas absorvem e reproduzem automaticamente o que recebem. É verdade que muitos indivíduos tendem a reproduzir o que vem na televisão ou leem nas revistas semanais de informação , mas a maioria seleciona o que recebe , filtra e reelabora a informação; além disso , nem todos recebem as mesmas informações. As relações sociais cotidianas são muito diversas e envolvem laços de parentesco , de vizinhança , de amizade . Formam uma rede de informação mesclando várias fontes. Pesquisando a ação da indústria cultural percebe-se que os indivíduos não aceitam pacificamente tudo o que lhes é imposto. Exemplo disso é a dificuldade que essa indústria tem de convencer as pessoas , evidenciada pela necessidade de inventar e reinventar constantemente campanhas publicitárias. Numa perspectiva de enfrentamento ou de resistência, pode-se pensar, conforme Antonio Gramsci, na possibilidade de haver um processo de contra-hegemonia , mesmo que pequeno , que ocorre dentro e fora da indústria cultural. Nas empresas há trabalhadores que desenvolvem suas atividades nos meios de comunicação e que procuram apresentar críticas ao que se faz na indústria cultural. Fora dessas empresas, há intelectuais que, individualmente ou em organizações , criticam o que se faz na televisão , no cinema e em todas as éreas culturais. Outros procuram criar canais alternativos de informações sobre o que acontece no mundo, desenvolver produções culturais não massificados ou manter canais de informação e crítica constantes em sites e blogs na internet. Não se pode esquecer também dos movimentos culturais de milhares de pequenos grupos do mundo que desenvolvem produções culturais específicas de seus povos e grupos de origem.
Segunda Revolução Industrial e o Imperialismo
Novas tecnologias , novas fontes de energia e a expansão da atividade industrial marcaram uma nova etapa do desenvolvimento capitalista , na segunda metade do século XIX. É o início da Segunda Revolução Industrial. As hidrelétricas e o petróleo ampliaram a capacidade de geração de energia e acrescentaram novas possibilidades à tecnologia de produção e, portanto , ao aparecimento de novos produtos. Surgiram as grandes siderúrgicas e as indústrias químicas . A marinha mercante multiplicou a sua frota em diversos países europeus, nos Estados Unidos e no Japão. As ferrovias se expandiram por todo o mundo , como meio de transporte e como atividade empresarial. A evolução e a ampliação dos sistemas de transporte estimularam o desenvolvimento da atividade industrial e criaram novas possibilidades em relação à localização geográfica de alguns setores industriais. Nessa fase , a livre concorrência das pequenas e médias empresas da Primeira Revolução Industrial foi praticamente substituída pelo monopólio praticado por empresas gigantescas, comandadas por grandes bancos que passaram a investir , também , na produção. O empresário , isolado , não tinha como realizar investimentos tão elevados. O domínio econômico das grandes empresas intensificou as disputas comerciais entre os países e ampliou as disputas territoriais para muito além de suas fronteiras . No final do século XIX, a Inglaterra , que mantinha o maior império colonial do planeta , não era a única potência industrial. Os países que se industrializaram nesse período incorporaram as tecnologias mais recentes e modernas, enquanto algumas indústrias inglesas eram consideradas "velharias" da Primeira Revolução Industrial. Alemanha , Itália , França , Japão e Estados Unidos competiam em pé de igualdade com a indústria inglesa e , em diversos setores , até com superioridade. Todos queriam ampliar seus mercados e sus fontes de matérias-primas. Os Estados Unidos já exerciam domínio sobre o continente americano. A Itália , a Alemanha e o Japão não tinham colônias para ampliar a base de sua produção industrial. O mundo industrializado criou um vasto império colonial que se estendeu por todo o planeta com ocupação direta de territórios , guerras e acordos econômicos com as elites das novas colônias. É a fase do imperialismo ou neocolonialismo.
Meio Técnico-Científico-Informacional
No contexto da Terceira Revolução Industrial, com o aumento da capacidade de produção nas empresas, das redes de infra-estrutura (energia e telecomunicações , em particular) , da presença de sistemas informatizados nas mais variadas atividades econômicas, o espaço geográfico passa a apresentar uma grande quantidade de técnica , ciência e informação. Visível , por exemplo, na proliferação de caixas eletrônicos, telefones celulares , computadores (inclusive notebooks e palmtops) cabos de fibra óptica , câmeras de video, mercadorias com códigos de barra e sensores antifurto , centros de pesquisas universitários e empresariais, sistemas de produção robotizados etc. É preciso ressaltar que a técnica , a ciência e a informação estão desigualmente distribuídas no espaço geográfico mundial : há lugares onde é grande a sua presença , notadamente nos países desenvolvidos; outros onde é bastante irregular, como nos países subdesenvolvidos industrializados; e outros ainda onde é muito escassa , como nos países subdesenvolvidos de economia primária (agropecuária e extrativismo). O geógrafo Milton Santos denominou a configuração espacial do mundo no contexto da Revolução Técnico-Científica de meio técnico-científico-informacional. Expressão que passou a ser utilizada por diversos organismos da ONU para se referir a um grupo de países sub-desenvolvidos que se industrializaram ou estão se industrializando -São os países emergentes. São países , como o Brasil , México , Argentina , Índia , China , África do Sul , Taiwan , Indonésia , Malásia , que apresentam mão-de-obra barata em relação aos países desenvolvidos , uma razoável infra-estrutura energética, de comunicações e de transportes , além de um mercado consumidor em crescimento. Esses países , em maior ou menor grau, alteraram as leis que regulamentam a entrada de investimentos estrangeiros para facilitar o ingresso de capitais externos. Virtualidades , refere-se às qualidades que podem tornar possível a realização de algo.
Algumas Utilizações Práticas da Clonagem Gênica
Produzidas por clonagem gênica , as milhares de cópias exatas de um mesmo fragmento da molécula de DNA de um organismo ficam disponíveis para identificação das sequências de bases e para outros trabalhos de Biologia molecular. Clonando-se dessa forma vários trechos das moléculas de DNA de uma espécie , é possível formar uma biblioteca de DNA. A produção de certos hormônios da espécie humana já tem sido realizada por meio de técnicas de clonagem como as descritas . É o caso da insulina e da somatotropina (hormônio de crescimento). A insulina é fundamental no metabolismo do açúcar , e sua síntese é determinada geneticamente. Hoje já é possível produzir insulina clonando o gene humano em bactérias e estimulando-o para que entre em atividade. Produzem-se , assim, quantidades consideráveis de insulina , posteriormente isolada e purificada para a utilização humana. Alguns indivíduos não têm o alelo para esse hormônio e, assim , não produzem insulina , o que desencadeia uma das formas da doença chamada diabetes. Nessa forma da doença , geralmente as pessoas precisam receber diariamente doses adequadas de insulina para ter uma vida normal. A insulina produzida por engenharia genética é idêntica à sintetizada pelo pâncreas humano, o que elimina o risco de qualquer reação alérgica pelo diabético , que antes só podia contar com a insulina extraída do pâncreas de ratos criados em laboratório ou de bois e procos obtidos em matadouros. A somatotropina é um hormônio responsável pelo crescimento do indivíduo , sendo produzido na hipófise . Na ausência ou insuficiência desse hormônio a criança não nasce adequadamente. O tratamento até há alguns anos era feito com a somatropina extraída de outros organismos. Atualmente esse hormônio é produzido por bactérias que recebem o gene humano da somatotropina e são clonadas em laboratório, de modo semelhante ao descrito para as bactérias produtoras da insulina.
As Migrações Internacionais
Os deslocamentos populacionais fazem parte da história da humanidade e foram responsáveis pela formação dos diversos povos, bem como dos elementos culturais que os caracterizam. Os grupos étnicos existentes só podem ser entendidos a partir da análise das migrações , considerando-se os choques e as assimilações culturais dos povos ao longo da história. Com os deslocamentos populacionais , extensas regiões da Terra foram ocupadas e colonizadas. O continente americano é um bom exemplo desse processo. Atualmente , as migrações internacionais tornaram-se um fenômeno nunca antes registrado em qualquer outra etapa da evolução humana. Milhares de pessoas cruzam as fronteiras entre os países todos os anos em busca de emprego, melhores salários , oportunidades de estudo , ou fugindo da violência de guerras , de perseguições e religiosas. Quase todas as grandes cidades do mundo possuem comunidades de imigrantes e, em algumas dessas cidades , o número de imigrantes de determinado país é significativo : há grande concentração de turcos em Frankfurt , na Alemanha; de chineses em Vancouver , no Canadá ; de argelinos em Paris , na França ; de indianos e paquistaneses em Londres , na Inglaterra ; e de hispânicos e de povos de quase toda a parte do mundo em diversas cidades dos Estados Unidos. Segundo a ONU , nas duas últimas décadas do século XX, mais de 160 milhões de pessoas deixaram tudo para trás para viverem fora dos países onde nasceram- esse número está muito próximo ao do total da população brasileira (cerca de 170 milhões de habitantes, segundo o Censo Demográfico 200). Esse volume de migrações, nunca visto antes na história , só é comparável à emigração européia para a América e Oceania , ocorrida nos séculos XIX e XX. Desses 160 milhões , cerca de 20 milhões migraram em decorrência de perseguições políticas (pessoas que fugiram de guerras ou da violência de regimes ditatoriais para buscarem proteção em outros países) ou de secas , ou outros desastres ambientais. O restante -140 milhões , aproximadamente - são pessoas que migraram por motivos econômicos , que decidiram trocar um situação de vida sem perspetiva em sua terra de origem pela esperança de consegui-lo em outros países do mundo. Os imigrantes constituem , atualmente , cerca de 5% da população dos países desenvolvidos; nos Estados Unidos, representam aproximadamente 10% da população.
Reprodução Nas Esponjas
As esponjas podem apresentar reprodução assexuada e sexuada. A reprodução assexuada pode ser por brotamento, fragmentação ou gemulação. No brotamento, uma esponja inicial produz uma projeção no corpo, o broto , que pode se soltar originando um novo indivíduo. Em muitas espécies , os brotos não se separam , originando colônias. As esponjas têm grande poder de regeneração. Pequenos pedaços delas podem regenerar por completo espojas inteiras. Essa capacidade permite que elas apresentam um tipo de reprodução assexuada por fragmentação: pequenos pedaços separados eventualmente do corpo podem formar novas esponjas. A gemulação é mais comum em espécies de água doce, onde as condições ambientais podem se tornar temporariamente adversas, como ocorre quando os rios secam. Ao perceberem mudanças ambientais , as esponjas iniciam a produção de gêmulas , formas de resistência que se originam no meso-hilo. Cada gêmula é constituída por um envoltório rígido que protege células indiferenciadas (arqueocitos) capazes de formar um novo indivíduo. Quando as esponjas morrem , as gêmulas são liberadas , podendo permanecer no meio por longos períodos de tempo , até que as condições ambientais voltem a se tornar adequadas. Nessas condições , os arqueocitos saem por uma abertura presente na gêmula , a micrópila, e reorganizam uma nova esponja. Na reprodução sexuada , os espermatozoides são formados a partir dos coanócitos e saem pelo ósculo carregados pela corrente exalante de água. Eles penetram em outras esponjas com a corrente inalante e são captados pelos coanócitos, que os transferem para os óvulos. Como regra geral, a fecundação é interna. Os óvulos são formados a partir de coanócitos ou de arqueocitos. Do ovo surge uma larva ciliada que abandona o corpo da esponja. Após breve período de vida planctônica, a larva fixa-se a um substrato , sofre metamorfose e dá origem a um novo indivíduo.
Pleiotropia
Até agora estudamos casos em que cada caráter era determinado por um par de alelos. Entretanto , nem sempre isso acontece. Um mesmo par de alelos , sob as mesmas condições ambientais , pode ser responsável pela determinação de dois ou mais caracteres. Quando isso ocorre, falamos em pleiotropia. Existem casos em que , para a determinação de apenas um caráter , vários pares de genes interagem . Esses casos recebem o nome de interação gênica. A pleiotropia é um processo muito frequente , que ocorre na maioria dos casos de herança genética. Um exemplo de ação pleiotrópica é o caso dos alelos letais nos animais , que acabam afetando vários caracteres ao mesmo tempo. Outro exemplo que se pode citar , agora para plantas são duas variedades de cebolas: as avermelhadas e as brancas . Notou-se que as cebolas avermelhadas são resistentes ao ataque de determinado fungo parasita , ao passo que as brancas não são. Observou-se também que um único alelo recessivo era, em condição homozigótica , responsável pela manifestação desses dois caracteres : cor vermelha e produção de substâncias que impedem a fixação do fungo parasita , configurando um caso de pleiotropia. Vamos analisar aqui alguns caracteres da espécie humana que são exemplos de pleiotropia. A fenilcetonúria é um doença hereditária determinada por alelo recessivo. A pessoa afetada não consegue metabolizar o aminoácido fenilalanina e transformá-lo em tirosina , pois não sintetiza a enzima responsável por essa conversão. Esse fato desencadeia uma série de consequências graves no organismo. Os afetados podem ter uma vida normal desde que restrinjam a ingestão de alimentos que contenham felalanina. Por isso, é obrigatório nos rótulos dos alimentos o alerta para a presença de fenilalanina. O diagnóstico dessa anomalia é feito pelo "teste do pezinho" , obrigatório nas maternidades do Brasil, assim que a criança nasce . Uma dieta orientada por médicos deve ser seguida com rigor para o bem da criança. Doenças como essa são decorrentes de erros inatos do metabolismo e determinadas geneticamente , havendo bloqueio metabólico. Outros exemplos desses erros inatos do metabolismo na espécie humana e que sã causados por alelos recessivos são:
¤Doença de Gaucher: a deficiência da enzima glicosilmeramidade determina aumento do baço e do fígado , erosão dos ossos longos , deterioração mental grave , pigmentação castanha das áreas expostas ao Sol;
¤Galactosemia: deficiência da enzima galactose 1-fosfato-uridiltransferase determina aumento do baço e do fígado , cirrose hepática , catarata , retardo físico e mental, intolerância à galactose.
Resumo do Processo Respiração
A respiração cutânea é observada nos animais que têm "cutis" ou pele. Ela ocorre em planárias e minhocas. A respiração traqueal é realizada por meio de traquéias, delgados tubos ramificados que levam o oxigênio à intimidade dos tecidos. Caracteriza os insetos e outros poucos artrópodos , como as centopéias , por exemplo. Nos aracnídeos , esse sistema já é um pouco mais complexo , apresentando as filotraquéias (são os pulmões traqueais das aranhas). A respiração branquial pode ser feita por brânquia externas (anelídeos poliquetas , crustáceos e larvas de anfíbios) ou por brânquias internas (peixes). Os pulmões podem ser saculiformes ou parenquimatosos. Os primeiros ocorrem nos anfíbios adultos. Os répteis têm um modelo de pulmão intermediários , ou seja, parenquimatoso rudimentar. O tipo parenquimatoso atinge grande desenvolvimento nos mamíferos, encerrando milhões de alvéolos , que , oferecem uma gigantesca superfície de trocas gasosas entre o ar e o sangue. As aves possuem pulmões pequenos associados a sacos aéreos , a partir dos quais pequenos canais conduzem o ar até o interior dos ossos pneumáticos. O sistema respiratório humano compõe-se de: fossas nasais (e boca ) , faringe , laringe , traquéia, brônquios , bronquíolos e pulmões parenquimatosos com pleura. A passagem da faringe para a laringe se faz pel glote , que é recoberta pela epiglote. Na laringe se situam as cordas vocais. Os movimentos de expansão e retração dos pulmões são passivos , na dependência do aumento ou da diminuição dos diâmetros horizontal e vertical da caixa torácica. E essas variações são controladas por nervos do sistema nervoso autônomo , que comandam as contrações dos músculos intercostais e do diafragma. Há também uma participação voluntária nos movimentos respiratórios . Mas o comando habitual é involuntário. As trocas gasosas ao nível dos alvéolos (hematose) ocorrem em função das diferenças de pressão parcial de O2 e de CO2 no sangue e no ar alveolar. Também pelo mesmo mecanismo observam-se as trocas gasosas ao nível dos capilares , nos tecidos. O oxigênio é transportado pelo sangue quase integralmente no interior das hemácias, combinado com a HB , formando a oxiemoglobina. Já o CO2 é transportado de diversas formas : cerca de 5% dissolvidos no plasma , 25% combinados com proteínas plasmáticas e com hemoglobina (carboemoglobina) e cerca de 70% sob a forma de íons bicarbonato no plasma. A enzima anidrase carbônica tem papel relevante no transporte do dióxido de carbono. A regulação do ritmo respiratório é feita pelo centro respiratório localizado no bulbo (próximo ao cérebro). Quociente respiratório é a relação entre o volume de CO2 eliminado e o volume de O2 absorvido. Ele é variável de acordo com as substâncias oxidadas a nível celular para a liberação de energia. Dá-se o nome de capacidade vital à soma de todo o ar que pode entrar e sair dos pulmões de uma só vez, incluindo uma inspiração forçada (após a inspiração normal) e mais uma expiração forçada. Se somarmos a capacidade vital com o ar residual que existe nos pulmões e que nunca conseguimos eliminar , temos, então, a quantidade máxima de ar que os dois pulmões juntos podem comportar. Isso é a capacidade respiratória total.
Os Ácidos Nucleicos
Os ácidos nucleicos são compostos do encadeamento de grande número de unidades , os nucleotídeos. Cada nucleotídeo é formado por três tipos de substâncias químicas : uma base nitrogenada , composto cíclico com nitrogênio ; uma pentose , açúcar de cinco carbonos ; e um fosfato, radical do ácido fosfórico. Os nucleotídeos estão ligados e formam uma longa cadeia de açúcar e fosfato, da qual se projetam as bases nitrogenadas. Existem cinco tipos de bases nitrogenadas: adenina (A), guanina (G) , citosina (C) , timina (T) e uracila (U) . Em alguns ácidos nucleicos só há nucleotídeos com o açúcar tribose e em outros , apenas com o açúcar desoxirribose . Por isso os ácidos nucleicos são classificados em ácido ribonucleico (RNA ou ARN) e ácido desoxirribonucleico (DNA ou ADN) . O RNA aparece dissolvido no citoplasma ou associado a proteínas , formando os ribossomos, ou ainda no núcleo, formando o nucléolo . O DNA aparece associado a proteínas nos cromossomos, formando os genes , e é encontrado também nas mitocôndrias e nos cloroplastos. Na molécula da DNA há quatro bases nitrogenadas : adenina , guanina , citosina e timina . Como nesse ácido a pentose é sempre a desoxirribose , a única diferença entre um nucleotídeo e outro é o tipo de base. A molécula de DNA presente nas células compõe-se de um filamento duplo. Cada filamento é formado pela união de muitos nucleotídeos. Os dois filamentos estão torcidos em hélice no espaço e presos um ao outro pelas bases nitrogenadas. A ligação entre as bases dos dois filamentos é feita por meio de pontes de hidrogênio. A base timina se liga obrigatoriamente à adenina , e a base citosina está sempre ligada à guanina. Como decorrência disso, a sequência de bases de um filamento determina a do outro. Se em um deles houver a sequência AATCCATGT, por exemplo, no outro a sequência será TTAGGTACA.
Polpa Dentária
Também originada do tecido conjuntivo da gengiva , a polpa localiza-se na região mais interna do dente. Nela se encontra o nervo dentário , que é acompanhado por uma arteríola e por uma vênula , através das quais se dão as trocas gasosas e metabólicas entre o sangue e as células vivas do dente. Esses três elementos alcançam a polpa através dos canais das raízes. A parte do dente que fica para fora da gengiva denomina-se coroa. A parte que fica abaixo da gengiva , encaixada num alvéolo do tecido ósseo , é a raiz. O limite entre a coroa e a raiz constitui o colo. A raiz não tem revestimento de esmalte , mas uma camada de tecido ósseo a recobre , formando o cemento ou cimento. Quanto ao aspecto e à finalidade , os dentes podem ser classificados em incisivos(servem para cortar) , caninos (prestam-se para rasgar a carne), pré-molares e molares (destinados à trituração dos alimentos). Mas nem todos os animais possuem essa diferenciação dentária. Os golfinhos , que são mamíferos , bem como numerosas espécies de peixes , apresentam todos os dentes iguais, com o aspecto de uma serra. Esses animais são chamados homodontes, contraste com os heterodontes , que revelam a diferenciação dentária , como se vê nos mamíferos , em sua grande maioria. Quanto ao número de dentes e à sua distribuição , verifica-se uma grande diversidade entre os mamíferos . Isso, naturalmente , tem íntima relação com os hábitos alimentares da espécie considerada. Os roedores , assim como os ruminantes , por exemplo, não precisam de caninos. Já os carnívoros necessitam muito mais desse tipo de dente do que dos incisivos , os quais são pouco desenvolvidos neles. Mas , nos roedores , os incisivos têm papel de grande importância. Assim, a fórmula dentária é muito varável entre os mamíferos . A formula dentária é uma representação em frações ordinárias do número de dentes , seus tipos e disposição, considerando-se apenas uma hemiarcada (metade de uma arcada) superior e uma hemiarcada inferior. Alguns tipos de dentes recebem nomes especiais, como:
1-Secodontes
Possuem proeminências agudas e cortantes. São os pré-molares de alguns carnívoros (como o cão, por exemplo, que às vezes chegam a confundir-se com os caninos). São também chamados dentes carniceiros.
2-Bunodontes- Dentes com tubérculos ou saliências arredondadas. Assim são os molares dos animais onívoros (que comem de tudo), como o homem, por exemplo. Esses dentes são trituradores.
A Digestão
A digestão é todo um processo físico (mecânico) e químico destinado à fragmentação das partículas alimentares e ao desdobramento das macromoléculas em pequenas moléculas "assimiláveis" pelas células. Não fosse a digestão , a grande maioria das substâncias consumidas na alimentação passaria intacta pelo sistema digestivo , sendo eliminada integralmente pelo ânus. No estudo da digestão , devemos distinguir:
1- Digestão Intracelular;
2- Digestão Extracelular
3- Digestão extracorpórea
A digestão intracelular ocorre com protozoários , om células de espongiários (coanócitos das esponjas) e com células de organismos superiores (leucócitos e outras). Entre os protozoários , os ciliados possuem uma goteira oral ou citóstoma , por onde ingerem o alimento. Este , chegando ao fundo de um curto canal- o citoesôfago - , é recolhido numa pequena vesícula , que se desprende do canal e se constitui num vacúolo digestivo. Neste vacúolo são vertidas as enzimas hidrolisantes produzidas por lisossomos . A digestão tem início. Após o seu término, restarão alguns detritos no interior do vacúolo , o qual se aproxima de um ponto na superfície celular, onde se abre , formando o citoprocto ou citopígio e, por ali, eliminando os dejetos. Nas amebas , ocorre um tipo de englobamento chamado fagocitose , após o que estará formado um fagossomo (vesícula intracitoplasmática, delimitada por uma membrana , contendo o material englobado). Com a afluência dos lisossomos , o fagossomo se constitui num lisossomo secundário ou vacúolo digestivo. Daí, por diante , o processo é idêntico ao descrito para os protozoários ciliados. Nem sempre o englobamento se faz a partir de substâncias sólidas , como sucede na fagocitose. Se a substância englobada é uma gotícula (substância líquida), então, o fenômeno , embora tenha as mesmas características , recebe o nome de pinocitose . Desse modo , a vesícula de englobamento é um pinossomos. Uma vez recebidas as enzimas lisossômicas , a vesícula também se transforma num vacúolo digestivo. E daí por diante , ainda neste caso, o processo restante será igual aos anteriores. Antes de abordarmos a digestão extracelular , que será um assunto razoavelmente longo, faremos um breve comentário sobre a digestão extracorpórea. Esta é uma forma menos comum de digestão observada em pequeno número de espécies. Na digestão extracorpórea, o organismo lança para fora , no ambiente externo, as suas enzimas digestivas , que vão fazer a hidrólise das macromoléculas extra-organicamente. Os fungos costumam difundir suas enzimas hidrolisantes sobre os substratos (substâncias orgânicas encontradas na madeira , na terra) em meio aos quais se desenvolvem. Só depois da fragmentação das macromoléculas em moléculas pequenas é feita a absorção dos nutrientes. As aranhas comumente injetam na presa uma certa quantidade de sucos digestivos juntamente com o veneno. Esses sucos vão proceder na vítima ao amolecimento dos tecidos e à decomposição rápida das moléculas proteicas, lipídicas e polissacarídicas em unidades pequenas , ou monômeros , daquelas moléculas. Só aí as aranhas promovem a ingestão, sugando a matéria liquefeita do interior do corpo da presa que , por fim , resta seco e oco. As estrelas-do-mar ejetam (projetam para fora) o estômago , englobando com ele (no meio externo) , alimentos como ostras . Após o amolecimento das substâncias pela ação do suco gástrico, o estômago é recolhido novamente ao interior do organismo. É como uma manga de paletó que se revirasse pelo avesso e depois voltasse à posição normal. A digestão extracelular é aquela que se realiza fora das células , embora dentro de órgãos especializados que, e conjunto , formam um sistema digestivo. No nosso estudo, veremos primeiramente , a título de modelo, o sistema digestivo humano. Depois , comparativamente , estudaremos as diferenças e características observadas no tubo digestivo de outros animais.
Genes Letais e Subletais
Observou-se que, em alguns casos particulares de pleiotropia , a atividade de um par de genes determina duas ou mais características hereditárias , das quais uma constitui-se em causa condicionante da morte do indivíduo. Assim, o gene ocasiona , pela sua atuação , a morte do seu portador. Não importa a idade em que a morte ocorra. Mas ela será inevitável em face daquele genótipo. Tais genes são chamados de genes letais. Já no início deste século, Cuenot relatava que havia observado , em cruzamentos de ratos amarelos com outros iguais , que a prole resultante se distribuída em amarelos e pretos numa proporção de 2 : 1 e não de 3 : 1, como se poderia esperar num monoibridismo simples com dominância , pelas regras da genética mendelianna . Por cruzamentos de ratos amarelos com ratos pretos , ele pôde chegar à conclusão de que o gene para amarelo era dominante e que todos os ratos amarelos cruzados eram heterozigóticos. Desse modo, nunca se obtinham amarelos puros (homozigóticos). Foi possível , então, descobrir que, de fato, todos os amarelos puros morriam ainda no ventre materno. Só nasciam , portanto, os heterozigóticos. A conclusão veio mostrar que o gene para amarelo é dominante em relação à cor , mas é recessivo quanto à letalidade. Assim, nos heterozigóticos ele não determina a morte . Mas o faz nos homozigóticos. Mas nem todo gene letal é pleiotrópico. Na espécie humana , conhecem-se várias doenças mortais e incuráveis determinadas pela atividade de genes letais. A coréia de Huntington é um exemplo. Ela costuma manifestar-se após os 30 anos de idade. Mas os seus sintomas de degeneração nervosa , com tremores generalizados e sinais de deterioração mental , depois que se instalam são progressivos e irreversíveis. Como ela se manifesta um tanto tardiamente, os seus portadores habitualmente casam-se e transmitem o gene aos seus descendentes , contribuindo para a disseminação da doença. O gene que condiciona a coréia de Huntington é autossômico dominante. Já na idiotia amaurótica (demência , cegueira progressiva e morte), que se manifesta na infância ou na adolescência , o gene condicionante é recessivo. O xeroderma é outra manifestação de gene letal (alteração pigmentar da pele que inexoravelmente degenera em câncer cutâneo), mas é determinado pela ação de um gene recessivo heterocromossômico, isto é , localizado numa região homóloga dos cromossomos X e Y. Mas , se o gene letal provoca sempre a morte do seu portador , o mesmo não ocorre com o gene subletal, que nem sempre determina a morte do indivíduo , pois , em muitos destes ele pode revelar expressividade reduzida. Na epilóia, por exemplo, há um gene autossômico dominante que determina lesões nervosas e cerebrais , com morte em baixa idade . No entanto, alguns portadores desse gene revelam uma forma branda da doença , compatível com vida longa e com capacidade de reprodução (expressividade reduzida no fenótipo).
As Ervilhas de Mendel
Nas ervilhas estudadas por Mendel , no caso das sementes rugosas, os alelos que sintetizam a enzima responsável pela polimerização da amilopectina (polímero da glicose que faz parte da molécula de amido) são inativos . Com isso , uma grande quantidade de moléculas de sacarose se acumula na semente à medida que ela se desenvolve , e uma grande quantidade de água é absorvida por osmose , o que faz com que a ervilha aumente de tamanho. Quando ela amadurece , boa parte dessa água é perdida e a superfície da ervilha fica enrugada. Já no caso das sementes lisas, que ainda que exista apenas um alelo ativo (sementes heterozigotas) para a síntese da enzima , produz-se a quantidade necessária para que a polimerização da amilopectina ocorra, assim, a glicose não se acumula na semente e a superfície dela se mantém lisa. Nas plantas de ervilha baixas , os alelos recessivos codificam enzimas pouco ativas , que sintetizam uma quantidade muito pequena de giberelina , um hormônio de crescimento. Nas plantas altas , a presença de apenas um alelo dominante de uma quantidade suficiente de giberelina. Os dois alelos diferem em apenas uma das bases nitrogenadas do DNA (guanina por adenina), que representa a troca de um aminoácido na enzima, reduzindo sua atividade e provocando uma queda na produção do hormônio de cerca de 95%.
Aplicando Probabilidades
A distribuição dos alelos pelos gametas e as fecundações ocorrem ao acaso. Isso significa que o fato de um espermatozoides ter um alelo A, por exemplo, não faz com que ele tenha maior chance de fecundar um óvulo do que um espermatozoide com alelo a. O mesmo raciocínio vale para o alelo a e para o óvulo. O mesmo raciocínio vale para o alelo a e para o óvulo: óvulos com o alelo A não tem maior chance de serem fecundados que óvulos com o alelo a. Assim, a teoria das probabilidades pode ser usada para prever resultados.
A) Um heterozigoto produz espermatozoides com os alelos A e a em igual proporção. Sabendo que os óvulos da fêmea possuem o alelo a, qual dos espermatozoides fecundará o óvulo e como será os filhos formados? Resolução: Se o número de espermatozoides A É IGUAL AO DE a, podemos prever que , em cerca de 50% dos casos , o óvulo será fecundado pelo espermatozoide com o alelo A e , nos outros 50% , pelo espermatozoide com o alelo a. O que não quer dizer que em duas fecundação ocorram obrigatoriamente um "vitória" do espermatozoide A e uma do a. Pode ser que o primeiro "vença" ambas as "corridas" em direção ao óvulo. As fecundações são acontecimentos independentes : a "vitória" de um tipo de espermatozoide não afeta , no futuro , a chance de vitória de cada tipo de espermatozoide , do mesmo modo que o fato de ter obtido cara em um lançamento de moeda não afeta a probabilidade de se obter cara (ou coroa) no lançamento seguinte- essa probabilidade continua sendo 50%. Mas em grande número de fecundações esperamos que a proporção seja próxima a 50% (como dissemos , há testes estatísticos para avaliar possíveis desvios). Da mesma forma, em um número grande de filhos , cerca de 50% serão Aa e os outros 50% , aa, uma vez que ambos os tipos têm a mesma chance de se formar.
B) Duas plantas de flores vermelhas são cruzadas e originam 3 indivíduos de flores brancas e 1 de flores vermelhas . Podemos concluir que o branco é dominante)
Resolução: Se o branco fosse dominante , o vermelho seria recessivo e os pais seriam puros , não ocorrendo, portanto, o nascimento de plantas de flores brancas. Logo , o caráter vermelho é dominante e os pais são híbridos. Embora o resultado mostre uma proporção diferente da esperada ( a expectativa é de 3 vermelhos para 1 branco) , o número de descendentes analisados (4) é muito pequeno e , por isso , podemos atribuir esse desvio ao acaso. Existem suas regras simples de probabilidade que facilitam os cálculos em Genética: a regra da multiplicação (do produto ou do "e" ) e a regra da adição (ou do "ou").
Probabilidade e Genética
O resultado do lançamento de moedas (assim como o prêmio de loteria) e um acontecimento aleatório , ou seja, ocorre ao acaso , obedecendo às leis da probabilidade. Isso significa que, embora não possamos prever o resultado de determinado lance , a frequência de sair a face cara será aproximadamente igual à frequência de sair a face coroa (cerca de 50%), com uma margem de erro que diminui à medida que o número de lances aumenta. A probabilidade de um acontecimento pode ser definida como o número de resultado favoráveis a esse acontecimento dividido pelo número de resultados possíveis. Na brincadeira cara ou coroa, por exemplo, a probabilidade sair a face cara é 1/2 porque há dois acontecimentos possíveis -cara e coroa- , mas apenas um acontecimento favorável- cara. A probabilidade indica a proporção esperada de determinado acontecimento . Na prática , o resultado obtido não é necessariamente igual ao esperado. Entretanto, quanto maior o número de tentativas, mais a proporção obtida se aproxima da esperada. Por exemplo, em duas tentativas no lançamento de uma moeda poderia sair a face cara duas vezes , mas , se saísse a face cara em duzentas tentativas, isso nos levaria a acreditar que a moeda tinha cara nas duas faces ou estaria "viciada" (há testes estatísticos que permitem avaliar os desvios entre a proporção esperada e a obtida). De modo semelhante , a probabilidade de conseguir o número dois em um lançamento de dado é 1/6 , pois o dado tem 6 faces e há 1 resultado favorável em 6 resultados possíveis. Como na moeda, essa proporção pode não ocorrer em um número pequeno de lançamentos , mas em um número grande o resultado obtido se aproxima mais do resultado esperado . Em 1100 lançamentos , por exemplo, o número dois deve aparecer aproximadamente 200 vezes. Ou seja, quanto maior o número de acontecimentos analisados , menor o desvio estatístico entre o resultado obtido e o esperado (a probabilidade).
Resolução de Problemas de Monoibridismo
Um problema de monoibridismo considera apenas uma característica. Em certos casos, é fornecido o genótipo dos pais em relação a determinada característica e pede-se o da geração seguinte; em outro , é fornecido o resultado de um cruzamento entre indivíduos dos quais só se conhece o fenótipo e pede-se o genótipo desses indivíduos ou o tipo de herança. Vamos examinar agora apenas os apenas os casos de herança autossômicas , isto é , influenciadas por genes que estão nos autossomos e não nos cromossomos). Nas heranças autossômicas , características aparece igualmente em homens e mulheres e ambos têm a mesma probabilidade de transmiti-la aos filhos de ambos os sexos. A) Em cobaias (porquinhos-da-índia), pelos curtos dominam pelos longos. Qual o resultado (genótipos e genótipos) do cruzamento entre um macho de pelo curto e heterozigoto e uma fêmea de pelo longo?
Resolução: O genótipo do macho de pelo curto e heterozigoto é LI e o da fêmea de pelo longo é II. Verificamos os tipos de gametas possíveis e associamos espermatozoides e óvulo. Assim, 50% dos filhos terão pelo curto (LI) e 50% terão pelo longo (II). Outra forma de determinar as fecundações possíveis consiste em usar o quadrado de Punnett, inventado pelo geneticista inglês R.C Punnett (1875-1967) , que facilita a visualização das fecundações. Nesse esquema , os gametas de um dos sexos ficam organizados em colunas e os do outro sexo, em linhas . Cada quadrado indica o resultado de uma fecundação possível.
B) Qual o resultado do cruzamento entre duas cobaias heterozigotas para o tipo de pelo (curto domina longo)? Resolução: O problema pode ser resolvido com o quadrado de Punnett. Portanto , serão 75% com pelo curto (50% LI e 25% LL) e 25% com pelo longo (II).
C) Um casal de pele pigmentada tem um filho albino. Qual o caráter dominante e qual o genótipo dos pais?
Resolução : Para solucionar esse tipo de problema , podemos estabelecer pelo seguinte método:
I-Traduzimos o enunciado do problema em um esquema , indicando com os símbolos Macho¤ e Fêmea¤ todos os indivíduos envolvidos e mencionando apenas o seu fenótipo.
II. Passamos à pesquisa do caráter dominante: quando um casal com fenótipos iguais tem pelo menos um filho com fenótipo diferente, o fenótipo do casal corresponde ao caráter dominante. Neste exemplo, como um casal de pele pigmentada tem um filho albino, o caráter dominante é pelo pigmentada. Estabelecemos que A é o alelo para pele pigmentada e a o alelo para albinismo.
III. Colocamos os genótipos nos símbolos , partindo do caráter recessivo , pois sabemos que o fenótipo recessivo é sempre puro. Começamos pelo filho recessivo , aa. Como cada um desses alelos vem de cada pai , podemos colocar um a no pai e outro a na mãe. Se o fenótipo dos pais é pele com pigmentação, eles têm de possuir , cada um um alelo A. Portanto, o caráter dominante é pele pigmentada e os pais têm genótipo Aa. No caso de dominância incompleta e codominância , o problema é mais simples, pois o heterozigoto será sempre diferente dos dois homozigotos.
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