[Leste Europeu] Os países socialistas do Leste Europeu vêm forçando mudanças rumo à democracia. Em 1990 , quatro dos países mais ortodoxos do bloco socialista (a Bulgária , a Tchecoslováquia, a Polônia e a Alemanha Oriental) trocam o imobilismo do antigo sistema por eleições livres. Mas esses países , após tantos anos sem que o povo participasse de atividades políticas , não estavam preparados para uma passagem rápida à democracia de tipo ocidental , e isso lhes trouxe de início alguns desequilíbrios do sistema capitalista , como o desemprego , a inflação, o baixo poder aquisitivo , o arrocho salarial , etc. A crise do Leste Europeu se agravou com o fim do COMECON (Conselho de Assistência e Ajuda Mútua) , o fechamento de várias empresas e a demissão de milhares de trabalhadores. [Iugoslávia] A Iugoslávia era formada por 6 repúblicas : Croácia, Eslovênia , Sérvia , Bósnia, Macedônia e Montenegro. Tito governou a Iugoslávia e embora com diferentes nacionalistas , etnias e religiões , ele conseguiu mantê-la na unidade. Tito morreu em 1988. Até o ano de 1991 , havia um rodízio no governo , cada ano o governo seria exercido por um representante de uma república. O sistema fracassou e as lutas vieram. [O fim da Iugoslávia] Palco de lutas entre grupos e religiões diferentes , a antiga Iugoslávia manteve-se unida até o colapso do comunismo. A partir de 1992 , as regiões habitadas por bósnios e croatas declararam a sua independência. Os sérvios , que dominavam a maior parte da região, não aceitaram . Começou aí uma guerra em que atos de selvageria e violência tornaram-se a norma. Para desmoralizar os bósnios e expulsá-los de seu território, os sérvios criaram Campos de Concentração para os homens , violentaram mulheres , fazendo o que chamaram de faxina étnica. Os demais países envolver-se no conflito , com medo que este se espalhe. [Polônia] Em 1980, atendendo as reivindicações dos operários , o governo permitiu a formação de "sindicatos livres". O Sindicato Solidariedade (separado do Partido Comunista) liderado por Lech Walesa era uma forte esperança ao operariado polonês. As tensões se agravam no ano de 1981. O governo e o Sindicato Solidariedade entram em choque. Muitos participantes foram presos , inclusive o líder Walesa . a Polônia num grande país dentro da Europa. Em 1995, nas eleições presidenciais, Walesa foi derrotado.
As Cruzadas Vistas Pelos Árabes
"Enquanto para a Europa ocidental a época das cruzadas era o início de uma considerável revolução, ao mesmo tempo, econômica e cultural, no Oriente, as guerras santas iam desembocar em longos séculos de decadência e de obscurantismo . Sitiado por todas as partes , o mundo muçulmano se enrosca em si mesmo. Tornou-se fiorento, defensivo , estéril , tantas atitudes que se agravam à medida que prossegue a evolução planetária, em relação à qual ele se sente marginalizado. Doravante , o progresso é o outro. O modernismo é o outro. Seria preciso afirmar sua identidade cultural e religiosa rejeitando esse modernismo que simbolizava o Ocidente?[...] Ao mesmo tempo fascinado e aterrorizado por esses franj [nome dado pelos árabes aos cruzados europeus] que conheceu bárbaros , os quais venceu mas que , depois, conseguiram dominar a terra , o mundo árabe não pode resolver-se a considerar as cruzadas como um simples episódio de um passado remoto. Muitas vezes nos surpreendemos ao descobrir a que ponto a atitude dos árabes , e dos muçulmanos em geral, com relação ao Ocidente continua influenciada ainda hoje por acontecimentos que se considera terem encontrado o seu término há sete séculos. Ora , às vésperas do terceiro milênio, os responsáveis políticos e religiosos do mundo árabe se referem constantemente , a Saladino [herói muçulmano perpetuamente agredido, não se pode impedir a emergência de um sentimento de perseguição, que torna , ente alguns fanáticos, a forma de uma perigosa obsessão: não se viu, a 13 de maio de 1981, o turco Mehemet Ali Agca atirar no papa após ter explicado numa carta: 'Decidi matar João Paulo II, comandante supremo dos cruzados'? Além desse ato individual , está claro que o Oriente árabe vê sempre no Ocidente um inimigo natural. Contra ele, todo ato hostil, quer seja político, militar ou relativo ao petróleo , não passa de desforra legítima. E não se pode duvidar de que a ruptura entre estes dois mundos data das cruzadas , vistas pelos árabes , ainda hoje , como uma violação."
-MAALOUF, Amin. As Cruzadas Vistas Pelos Árabes.3.ed. São Paulo Brasiliense, 1998. P. 244 e 245.
Antes O Mundo Não Existia
Quando eu vejo as narrativas , mesmo as narrativas chamadas antigas, do Ocidente , as mais antigas , elas sempre são datadas. Nas narrativas tradicionais do nosso povo , das nossas tribos , não tem data, é quando foi criado o fogo , é quando foi criada a Lua , quando nasceram as estrelas , quando nasceram as montanhas , quando nasceram os rios. Antes , antes, já existe uma memória puxando o sentido das coisas , relacionando o sentido dessa fundação do mundo com a vida , com o comportamento nosso, com aquilo que pode ser entendido como o jeito de viver. Esse jeito de viver que informa nossa arquitetura , nossa medicina , a nossa arte, as nossas músicas , nossos cantos. [...] Alguns anos atrás , quando eu vi o quanto que a ciência dos brancos estava desenvolvida , com seus aviões , máquinas , computadores , mísseis , eu fique um pouco assustado. Eu comecei a duvidar que a tradição do meu povo , que a memória ancestral do meu povo, pudesse subsistir num mundo dominado pela tecnologia pesada, concreta . E que talvez a gente fosse um povo como a folha que cai. E que a nossa cultura, os nossos valores , fossem muito frágeis para subsistirem num mundo preciso, prático: onde os homens organizam seu poder e submetem a natureza , derrubam as montanhas. Onde um homem olha uma montanha e calcula quantos milhões de toneladas de cassiterita , bauxita , ouro ali pode ter. Enquanto meu pai, meu avô, meus primos , olham aquela montanha , cantam para ela , cantam para o rio... Mas o cientista olha o rio e calcula quanto megawatts ele vai produzir construindo uma hidrelétrica , uma barragem. Nós acampamos no mato , e ficamos esperando o vento nas folhas das árvores , para ver se ele ensina uma cantiga nova, um canto cerimonial novo, se ele ensina , e você ouve, você repete muitas vezes esse canto , até você aprender. E depois você mostra esse canto para os seus parentes, para ver se ele é reconhecido, se ele é verdadeiro. Se ele á verdadeiro ele passa a fazer parte do acervo dos nossos cantos. Mas um engenheiro florestal olha a floresta e calcula quantos milhares de metros cúbicos de madeira ele pode ter. Ali não tem música , a montanha não tem humor , e o rio não tem nome. É tudo coisa . Essa mesma cultura, essa mesma tradição , que transforma a natureza em coisa , ela transforma os eventos em datas , tem antes e depois.
-Krenak , Ailton. Antes , o mundo não existia. IN: Novaes , Adauto (ORG.). Tempo e História. São Paulo: Companhia das Letras , 1992.p. 202-3.
Estudo Em Laboratório
As populações formam-se e crescem graças à sua capacidade de reprodução. Se não houvesse obstáculo a esse crescimento , o número de indivíduos aumenta de forma exponencial , ou seja, em progressão geométrica. Por exemplo, em condições ideais , as bactérias reproduzem-se a cada 20 min . Se esse ritmo fosse mantido , em 15 horas haveria, a partir de uma única bactéria , uma população com mais de 1 bilhão de indivíduos e , em 36 horas , a Terra toda ficaria coberta por uma camada de bactérias. Uma comparação clássica para ajudar a visualizar a rapidez do crescimento exponencial consiste em imaginar que pudéssemos dobrar uma imensa folha de papel ao meio e repetir essa operação 42 vezes. Ao final, o papel teria uma espessura equivalente à distância da Terra à Lua (cerca de 386.400 km). Mas esse ritmo de crescimento não se mantém por muito tempo. Diversos fatores impedem que a população continue aumentando em progressão geométrica e a levam a atingir o equilíbrio : a quantidade de alimento , o espaço disponível , a influência de predadores e parasitas , a competição com outras populações pelos mesmos recursos, etc. Chamamos de potencial biótico ou reprodutivo a capacidade de uma população crescer em condições ideias (de espaço, alimento, temperatura , etc.) e longe da influência de predadores, parasitas e competidores. Resistência ambiental é o nome dado ao conjunto de fatores que se opõem a esse crescimento ; ela pode ser indicada pela diferença entre o crescimento máximo possível (o potencial biótico) e o crescimento real da população nas condições naturais. Vários cientistas estudaram populações de microrganismos em laboratório e observaram que, no início , o número de indivíduos crescia de forma exponencial. Depois, a partir de certo ponto , a velocidade de crescimento diminuía até a população parar de crescer , e o número de indivíduos permanecia aproximadamente constante. O gráfico do número de indivíduos , em função do tempo é chamado de curva em S , curva sigmoide (da letra grega sigma) ou curva logística. Ele indica que as populações que estão em baixas densidades crescem inicialmente com velocidade cada vez maior ( o que caracteriza o crescimento exponencial): a população está crescendo de acordo com seu potencial biótica. À medida que a população aumenta , a resistência ambiental começa a interferir e a frear a velocidade de crescimento. A população continua a crescer , mas a uma velocidade cada vez menor. Quando a resistência do meio se equilibra com o potencial biótico, a população para de crescer (velocidade de crescimento nula) e se estabiliza (número de indivíduos permanece constantes). Curvas semelhantes foram obtidos em laboratório com culturas de outros protozoários , fungos, bactérias e até de organismos mais complexos, como a drosófila . Nesses casos , foi possível concluir que:
1- A velocidade de crescimento depende da densidade da população: a partir de certo ponto , quanto maior a densidade , menor a velocidade de crescimento;
2- Há uma densidade máxima de indivíduos, chamada de capacidade de sustentação , capacidade de suporte ou carga biótica máxima, que determinado ambiente pode sustentar. A partir daí, a população permanece mais ou menos constante , flutuando em torno desse valor. Essa flutuação acontece porque os fatores da resistência ambiental variam ao longo do tempo.
Estudos Moleculares
Em termos bioquímicos, quanto maior a diferença entre os ácidos nucleicos e as proteínas de duas espécies , maior a distância evolutiva entre elas (quanto maior a distância evolutiva, maior o número de mutações nesse intervalo de tempo) . Assim, as semelhanças nas sequências dos aminoácidos de uma proteína ou no DNA podem indicar o grau de parentesco entre duas espécies . Um exemplo do uso desse método é a comparação entre a hemoglobina humana e a de outros mamíferos . A humana é igual à do chimpanzé ( mesma sequência de aminoácidos) e difere de animais cada vez mais afastados evolutivamente. Isso significa que seres humanos e chimpanzés são mais próximos evolutivamente entre si do que com outros animais . Em outras palavras, chimpanzés e seres humanos compartilham ancestral comum mais recente do que com outros animais . Um modo de medir a diferença genética entre duas espécies é misturar uma cadeia de DNA de uma espécie com uma da outra espécie. Essa técnica é chamada de "Hibridização de DNA", pois forma-se uma molécula de DNA "híbrida". Quanto mais semelhantes as duas cadeias , maior o número de pares complementares de bases e maior atração entre dois filamentos. Por isso, mais energia, na forma de calor, é gasta para separar as duas cadeias . Com base na temperatura de separação, possível reconstruir a sequência evolutiva entre duas ou mais espécies. As técnicas atuais de análise de ácidos nucleicos permitiram sequenciar o genoma de várias espécies, mostrando , por exemplo, que o genoma humano apresenta maior grau de semelhança com genoma com o chimpanzé do que com o de outros animais . A análise do DNA e dos cromossomos 2A e 2B do chimpanzé, por exemplo, mostrou a semelhança de várias das partes desses cromossomos com o cromossomo humano 2 indicando que este pode ter surgido da fusão entre dois cromossomos do ancestral comum de chimpanzés e humanos. Isso explicaria por que os humanos têm um par de cromossomos a menos (23 pares) em relação aos chimpanzés (24 pares). De fato, pôde ser observado que, no meio do cromossomo humano 2, há regiões de DNA que correspondem a partes inativas dos centrômeros e dos telômeros (regiões situadas na ponta dos cromossomos) dos cromossomos 2A e 2B dos chimpanzés . Essas técnicas de análises de sequências de aminoácidos e nucleotídeos permitem construir árvores filogenéticas dos grupos de organismos , que podem ser comparadas com as árvores construídas com dados morfológicos. Permite também descobrir a origem de novas doenças causadas por vírus . O sequenciamento do RNA do vírus da AIDS, por exemplo, ajudou a decifrar sua origem (O HIV-1 veio de um tipo de vírus que infecta chimpanzés e o HIV 2 , de outro tipo de vírus , que vitima os macacos-verdes) e a época aproximada em que o vírus passou de uma espécie para outra. Com novas técnicas para determinar a sequência de bases do DNA, pode-se estudar também a evolução de determinado gene ao longo das espécies, comparando diretamente as mudanças em sua sequência de bases. Como acabamos de ver , a teoria da evolução permite explicar grande número de fenômenos que , aparentemente, não teriam relação entre si: os fósseis, as adaptações , as semelhanças anatômicas, fisiológicas e moleculares entre os seres vivos , os órgãos vestigiais , entre muitos outros. Fica claro, portanto, o título de um famoso artigo do também famoso geneticista Theodosius Dobzhansky, um dos pais da teoria sintética da evolução: "Nada em biologia faz sentido a não ser à luz da evolução".
Membranas Semipermeáveis
Os cientistas descobriram que alguns materiais naturais têm uma interessante propriedade. Eles permitem que determinadas substâncias os atravessem, mas outras não. Como a palavra "permeável" significa " que deixa passar" e a palavra "impermeável" significa "o que não deixa passar" , tais materiais foram denominados materiais "semipermeáveis" , pois são seletivos quanto às substâncias que os atravessam. A membrana que reveste as células é um exemplo de material que apresenta seletividade sobre certas substâncias que a atravessam . As moléculas de água , algumas outras moléculas pequenas e alguns íons hidratos podem atravessar a membrana celular. Isso permite que substâncias necessárias ao funcionamento da célula entrem nela. Também permite que substâncias tóxicas produzidas por ela sejam eliminadas para o meio externo. Moléculas muito grandes não atravessam os orifícios da membrana celular, o que é importantíssimo para evitar que as células percam as proteínas e outras substâncias vitais para o seu funcionamento saudável. De modo bem simplista , podemos considerar que a permeabilidade seletiva está relacionada à existência de minúsculos orifícios nos materiais semipermeáveis. Esses orifícios , de dimensões microscópicas , permitem que partículas menores que eles os atravessem , mas partículas maiores não. Os químicos perceberam que algumas membranas naturais e também algumas artificialmente produzidas apresentam um caso interessante de semi-permeabilidade: permitem a passagem do solvente água, mas não de solutos nela dissolvidos. Essas membranas semipermeáveis estão envolvidas num acontecimento denominado "osmose".
Tudo Começa na Família
Mesmo considerando todas as diferenças , há normalmente um processo de socialização formal, conduzido por instituições , como escola e Igreja , e um processo mais informal e abrangente , que acontece inicialmente na família , na vizinhança , nos grupos de amigos e pela exposição aos meios de comunicação. O ponto de partida é a família , o espaço privado das relações de intimidade e afeto, em que, geralmente , podemos encontrar alguma compreensão e refúgio , apesar dos conflitos . É o espaço onde aprendemos a obedecer a regras de convivência , a lidar com a diferença e a diversidade. Os espaços públicos de socialização são todos os outros lugares que frequentamos em nosso cotidiano. Neles, as relações são diferentes , pois convivemos com pessoas que muitas vezes nem conhecemos. Nesses espaço públicos, não podemos fazer muitas muitas das coisas que em casa são permitidas. Nos locais de culto religioso , por exemplo, devemos fazer silêncio ; na escola , onde ocorre a chamada educação formal, precisamos ser pontuais nos horários de entrada e saída , e assim por diante. Há , entretanto, agentes de socialização que estão presentes tanto nos espaços públicos como nos privados: são os meios de comunicação- o cinema, a televisão, o rádio, os jornais, as revistas, a internet e o telefone celular. Estes talvez sejam os meios de socialização mais eficazes e persuasivos.
Primeira Guerra Mundial
A Itália , a Alemanha e o Japão iniciaram seu processo de industrialização apenas na segunda metade do século XIX e acabaram participando tardiamente da disputa neocolonialista. Com a presença desses países no processo de expansão imperialista , os confrontos entre as potências tornaram-se ainda mais acirrados. O aprofundamento das rivalidades entre as potências levou à formação de alianças militares que dividiram os países imperialistas europeus em dois blocos. Em 1882 , Itália , Alemanha e Áustria-Hungria formaram a Tríplice Aliança e , em 1907, Grã-Bretanha , França e Rússia estabeleceram a Tríplice Entente. Nesse período , o império Turco-Otomano se encontrava em processo de desagregação. Na península dos Balcãs (sudeste da Europa), a Bósnia-Hezergóvina , a Croácia e a Eslovênia, que anteriormente faziam parte de seu domínio territorial, foram incorporadas pelo império Austro-Húngaro . A região balcânica passou a ser uma frente de disputa com a Sérvia , que pretendia estender seu domínio por toda a península. Em junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando , herdeiro do trono Austro-Húngaro , foi assassinado em Sarajevo , capital da Bósnia, por um estudante pertencente à sociedade secreta Mão Negra. Esse grupo era formado por nacionalistas sérvios que se opunham à presença austro-hungara nos Balcãs. O assassinato foi interpretado pelo Império Austro-Húngaro como uma agressão sérvia e foi o fato decisivo para o estopim da Primeira Guerra Mundial. Na Primeira Guerra , a Alemanha e a Áustria-Hungria , da Tríplice Aliança (com apoio posterior da Turquia e da Bulgária), opuseram-se aos países que formavam a Tríplice Entente (Rússia, França e Grã-Bretanha). A Itália , que pertencia à Tríplice Aliança , declarou neutralidade num primeiro momento e , mais tarde , entrou na guerra , junto com o Japão, ao lado da Tríplice Entente , lutando contra seus ex-aliados. A guerra causou profundas transformações no espaço geográfico mundial no início do século XX. Os países europeus tiveram suas plantações arrasadas e houve forte retração da sua produção industrial . Com isso , eles passaram a depender basicamente dos Estados Unidos para se abastecer e se organizar economicamente . Os Estados Unidos , que já se colocavam como uma forte potência econômica, eram o principal credor da França , da Rússia e da Grã-Bretanha , para quem tinham fornecido armas, munições , alimentos e outros produtos básicos. Em 1917, os norte-americanos declararam guerra à Alemanha e entraram no conflito. Em julho de 1918. As tropas da França , da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos realizaram uma investida decisiva , obrigando à capitulação da Áustria-Hungria , da Bulgária e da Turquia . Para a Alemanha , a guerra só terminaria alguns meses depois , com a abdicação do Kaiser alemão e coma rendição incondicional desse país. Vários acordos de paz foram assinados , separadamente , pelos países derrotados na guerra , provocando profundas mudanças no mapa político da Europa. A Alemanha , rendida no final do conflito , teve que aceitar os termos de um acordo - o Tratado de Versalhes - que lhe impôs condições bastante severas: o pagamento das indenizações de guerra (que, por mais de uma década , minguaram a economia alemã) , a renúncia sobre todas as suas colônias e a perda da sétima parte de seu território e outros países da Europa. O desmembramento do Império Austro-Húngaro também levou à formação de outros países na Europa . Surgiram Estônia , Letônia , Lituânia , Finlândia , Iugoslávia e Tchecoslováquia. O vasto Império Turco-otomano ficou reduzido apenas à atual Turquia que teve que renunciar , a favor dos países vencedores da guerra, ao domínio que exercia no Oriente Médio : a Arábia Saudita , o Iraque e a Palestina passaram à tutela dos ingleses e a Síria e o Líbano foram ocupados pelos franceses. As novas fronteiras dos países europeus definidas pelos tratados no período pós-guerra eram instáveis. Elas reuniram , num mesmo território , germânicos e poloneses , germânicos e tchecos , muçulmanos e sérvios. Os conflitos entre esses diversos grupos que passaram a compartilhar o mesmo território nacional geraram uma instabilidade permanente , que teve graves consequências inclusive para a geopolítica do mundo atual.
O Estado Na Economia Globalizada
As atribuições do Estado inicialmente baseavam-se na defesa do território , no bem-estar das pessoas , na garantia da propriedade e no relacionamento político e comercial com outros Estados. Ao longo da história, essas atribuições foram aumentando. Com algumas variações de país para país , o Estado foi agregando uma série de outras funções , por exemplo:
1ª- Participação acionária em empresas dos mais variados setores;
2ª- Investimento em educação , saúde , moradia e pesquisa;
3ª- Pagamento de aposentadorias, pensões e seguro-desemprego;
4ª- Controle da circulação da moeda;
5ª- Realização de empréstimos a juros baixos e isenção de impostos para determinados grupo sociais (subsídios);
6ª- Estabelecimento de taxa de juros , que serve de base para as atividades financeiras , inclusive bancárias;
7ª- Construção e manutenção de equipamentos de infra-estrutura (rodovias , ferrovia , viadutos , portos , aeroportos , usinas e redes de distribuição de energia elétrica etc.).
Na década de 1980 abriu-se uma nova discussão sobre o papel do Estado , por causa das cries econômico financeiras em países subdesenvolvidos e dos elevados déficits públicos de muito países. Para os teóricos das organizações financeiras internacionais (banco Mundial e FMI) e para o governo dos EUA, a crise e a nova economia globalizada exigiam um Estado que não interferisse no livre comércio , que facilitasse a atuação das grandes empresas , que cobrasse menos impostos e reduzisse seus gastos , inclusive nos setores sociais (saúde , educação , moradia , previdência ). Essas idéias e proposta foram chamadas de neoliberais. O Estado , na concepção neoliberal , deve intervir pouco na economia , procurando eliminar as barreiras com comércio internacional , atrair investimento estrangeiros e privatizar as empresas públicas. Para os neoliberais, não é o papel do Estado extrair petróleo ou minério , administrar refinarias , siderúrgicas ou participar de qualquer outro tipo de atividade econômica. Cabe ao Estado estimular a pesquisa tecnológica para apoiar a iniciativa privada, assegurar a estabilidade econômica e facilitar o livre funcionamento do mercado. A produção de mercadorias é papel das empresas particulares. Os gastos do governo , inclusive os sociais (saúde; educação ; previdência social, por exemplo, pagamento de aposentadorias e pensões) devem ser restringidos , a fim de gerar receitas para o pagamento dos juros da dívida pública e para não acarretar déficits nas contas do governo. Além disso , a eliminação ou a modificação de alguns direito trabalhistas devem ocorrer para estimular novas contratações , uma vez que , segundo os neoliberais , os gastos das empresas com mão-de-obra acabam repassados ao preço dos produtos , que perdem competitividade no mercado internacional. Da mesma forma , os gastos do Estado em setores que amparam a sociedade (por exemplo, saúde e educação), não devem ser muito alto para que não acarretem também impostos elevados sobre as empresas e sobre a sociedade como um todo. A adoção das práticas neoliberais fez com que vários Estados enfraquecessem os mecanismos de controle da economia e das fronteiras comerciais, tornando os países subdesenvolvidos vulneráveis à atuação das grandes corporações multinacionais , originárias , em sua maioria , nos países desenvolvidos. Com isso , ampliaram-se as desigualdades (sociais e econômicas) entre os países , visto que o neoliberalismo e a livre concorrência atendem melhor os que t~em maior capacidade de investimento, tecnologia mais avançada e maior capacidade de atuação no mercado mundial, como é o caso dos países desenvolvidos.
Refrigerantes E Mergulhadores
O CO2 transportado pelo sangue humano toma parte do seguinte equilíbrio:
CO2(aq) + H2O(1) = H+ (aq) + HCO-3 (aq)
Nos tecidos do organismo , onde há produção de CO2 gramas à respiração das células , a [CO2] é alta e o equilíbrio é deslocado para a direita. Quando o sangue passa pelos pulmões, o CO2 é eliminado pela expiração e, como consequência , o equilíbrio é deslocado para a esquerda. Ao encher rapidamente alguns balões de borracha, você certamente percebe como é fácil ficar um pouco "atordoado". Ao enchê-los , está se eliminando muito rapidamente CO2 da corrente sanguínea. O deslocamento do equilíbrio para a esquerda reduz a [H+], afetando o pH do sangue. Pequeninas variações de PH do sangue são suficientes para provocar tonturas e até mesmo desmaios . (O pH do sangue humano permanece tipicamente na faixa de 7,3 a 7,5.) O CO2 é apenas um dos gases dissolvidos no nosso sangue. Há também O2, N2 e outros em menor quantidade. A pressão do ar influencia a solubilidade desses gases no sangue humano. Lembre-se da Lei de Henry : quanto maior a pressão, maior é a quantidade de gás que se dissolve. Quando um mergulhador desce a grandes profundidades carregando cilindro de ar comprimido , a alta pressão desse gás faz com que seu sangue passe a conter mais ar dissolvido do que conteria se estivesse na superfície. Se o mergulhador voltar à superfície muito rapidamente , a brusca redução de pressão reduz a solubilidade dos gases e isso faz com que sejam expulsos do sangue. Há formação de bolhas nas veias e artérias , impedindo o fluxo de sangue e provocando dores nas juntas e nos músculos , surdez , paralisia e até mesmo a morte. Essa situação pode ser comparada à de uma garrafa fechada de refrigerante . Nela, o gás se encontra dissolvido sob ação da alta pressão. Ao abrirmos a garrafa , provocamos uma súbita redução da pressão e , em consequência , diminui a solubilidade do gás. Repetidamente há formação de bolhas , dispersas por todo o líquido. Para mergulhos muito profundos , o ar comprimido é substituído por uma mistura de oxigênio e hélio, pois o hélio é menos solúvel no sangue do que o nitrogênio , atenuando um pouco o problema.
Subdesenvolvimento e Dependência
Após fazer uma análise crítica das teorias da modernização, vários autores , na década de 1960, procuraram explicar a questão da diferença entre os países por um outro ângulo , focalizando a história diferencial de cada sociedade e as relações econômicas e políticas entre os países. A pergunta que se fazia era a mesma proposta pelas teorias anteriores: por que os países da América Latina eram subdesenvolvidos e os da Europa e os Estados Unidos eram desenvolvidos? As respostas , porém, mudaram. Esses autores partiram de uma visão que foi desenvolvida pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), da Organização das Nação Unidas (ONU). De acordo com os estudos da Cepal , do ponto de vista econômico , mas relações entre países desenvolvidos havia uma troca desigual e uma deterioração dos termos de intercâmbio. Historicamente , isso se explicava por uma divisão internacional do trabalho, em que cabia aos países periféricos (dominados) vender aos países centrais (dominantes) produtos primários (agrícolas , basicamente) e matérias-primas (sobretudo minérios) e comprar produtos industrializados. Ao longo dos anos , foi necessário que os países periféricos vendessem mais matérias-primas e agrícolas para pagar a mesma quantidade de produtos industrializados , ou seja , trabalhavam mais e vendiam mais para receber o mesmo e assim enriquecer aqueles que já eram ricos. Os países centrais e os periféricos tinham passado diferente. Os países europeus foram as metrópoles no período colonial, ao passo que os da América Latina foram as colônias e, depois da independência, passaram a ser dominados economicamente pela Europa e pelos Estados Unidos. Isso prejudicou a emergência pela Europa e pelos Estados Unidos. Isso prejudicou a emergência de forças livres para o desenvolvimento autônomo os países periféricos. Andrew Gunder Frank , sociólogo alemão, afirmava que na América Latina havia apenas o desenvolvimento do subdesenvolvimento , pois os países centrais , além de explorar economicamente os periféricos, dominavam-nos politicamente , impedindo qualquer possibilidade de desenvolvimento autônomo. E essa relação desde o período colonial por que alguns tinham se desenvolvido e outros não. Um segundo grupo de sociólogos , do qual participaram o brasileiro Fernando Henrique Cardoso e o chileno Enzo Falletto, propôs uma explicação um pouco mais detalhada dessa relação. De acordo com sua análise , após a primeira fase de exploração, que durou até fim da Segunda Guerra Mundial , iniciou-se um novo movimento que aprofundou os mesmos bens primários para exportação, mas a partir da década de 1960 houve uma mudança, principalmente no Brasil, na Argentina , no Chile e no México : A internacionalização da produção industrial dos países periféricos. Como isso ocorreu? A industrialização dependente configurou-se mediante a aliança entre os empresários estrangeiros e nacionais e o Estado nacional. Os produtos industriais que antes eram que antes eram fabricados nos países desenvolvidos começaram a ser produzidos nos países subdesenvolvidos , porque era mais barato. Além disso, com a produção local, evitava-se o gasto com o transporte. Mas o fundamental era que as matérias-primas estavam próximas , a força de trabalho era mais barata e o Estado dava incentivos fiscais (deixava de cobrar impostos) e construía toda a infra-estrutura necessária para que essas indústrias se instalassem e funcionassem. Em alguns países onde havia essas condições , as grandes indústrias estrangeiras se instalaram e geraram um processo de industrialização dependente , principalmente , da tecnologia que traziam. Com isso, além de manter a exploração anterior. Os países centrais exploravam diretamente a força de trabalho das nações subdesenvolvidas. Essas teorias procuravam explicar a existência das diferenças entre os países , as possibilidades de mudança de uma situação a outra e as condições possíveis para que isso acontecesse no sistema capitalista , sem necessariamente questioná-lo.
O Cloreto De Sódio E A Osmose
Qual deve ser a concentração adequada de soluto no soro que é administrado em pacientes Por que o sal ajuda a conservar a carne seca? De que modo pode-se obter água pura a partir do mar empregando o conceito de osmose? As respostas a essas perguntas - ligadas à saúde , à alimentação e à substância do ser humano - relacionam-se ao conceito de osmose.
O sangue é formado por elementos celulares (glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas) e por uma solução aquosa de vários componentes, que é o soro sanguíneo . O soro sanguíneo apresenta uma pressão osmótica bem definida , que é a mesma pressão osmótica do líquido presente no interior das células sanguíneas. Um glóbulo vermelho , por exemplo , se for colocado em uma solução de pressão osmótica maior que lele, denominado meio hipertônico , perderá água por osmose e murchará. Se for colocado em um meio com pressão osmótica menor , um meio hipotônico , ganhará água por osmose e inchará até estourar. Só em um meio com uma pressão osmótica igual àquela de seu interior, um meio isotônico , um glóbulo vermelho não corre o risco de murchar ou de estourar. Assim, ao administrar na circulação de um paciente grandes volumes de líquido, é necessário que esse líquido apresente a mesma pressão osmótica do plasma sanguíneo . O soro glicosado é uma solução aquosa 5% em massa de glicose, que é uma solução isotônica ao sangue. Não oferece , portanto , risco às células sanguíneas. O soro fisiológico é uma solução aquosa de NaCI a 0.9% e também apresenta a mesma pressão osmótica do sangue. Seu uso consiste numa maneira de hidratar o paciente (repor água que foi perdida), sem risco de afetar as células sanguíneas. Na conservação da carne pela salga, produzindo a carne-seca (jabá, charque , carne-de-sol), o cloreto de sódio retira a água da carne , por osmose. também retira água de microrganismos eventualmente presentes, impedindo seu crescimento e sua atividade . Assim, a carne é preservada por mais tempo. A salga do pescado (por exemplo , bacalhau seco) baseia-se no mesmo princípio. A pressão osmótica da água do mar é da ordem de 27 atm. Essa é a pressão que deve ser aplicada a água do mar - separada da água pura por uma membrana que deixe passar apenas o solvente - para impedir que ocorra a osmose. Se a pressão exercida for superior a 27 atm, o fluxo osmótico é invertido , e água pura pode ser obtida por osmose reversa. Em algumas regiões desérticas já existem usinas nas quais água pura é obtida a partir da água do mar por meio do osmose reversa. A principal dificuldade envolvida nessa tecnologia diz respeito ao material da membrana semipermeável , já que ele deve resistir a altas pressões sem se romper. A ideia da osmose reversa também é usada para a fabricação de equipamento de sobrevivência para náufragos , permitindo que obtenham água pura a partir da água do mar. Para um náufrago sem água há muitos dias , a ideia de beber água do mar é uma tentação fatal. A água do mar não apresenta apenas cloreto de sódio , mas vários outros solutos , entre os quais sais de magnésio . Embora nosso intestino apresente mecanismo que permitam a absorção dos íons presentes nas comidas e nas bebidas , os íons magnésio (Mg²+) não são absorvidos com muita eficiência. Ao ingerir a água do mar, a concentração de íons magnésio dentro do intestino aumenta muito e, por osmose , água passa da circulação sanguínea para o interior do intestino , provocando diarreia . Assim, o náufrago não só deixa de saciar a sede , como também desidratar-se fatalmente por causa da diarreia. (Isso que acabamos de falar sobre os íons magnésio também explica por que existem laxantes baseados no hidróxido de magnésio - o leite de magnésia - e no sulfato de magnésio - o sol amargo ou sal de Epsom.) . Equipamentos portáteis baseados na osmose reversa permitem que um náufrago aplique pressão por meio de uma bomba manual , gerando pressão suficiente para produzir cerca de 4,5 L de água pura em cerca de uma hora., Já foi relatado o caso de um casal de náufragos que permaneceu 66 dias no mar alimentando-se de peixe e obtendo água por meio de kits de sobrevivência baseados na osmose reversa.
Sabe Com Quem Está Falando?
"Pelo reconhecimento social extensivo e intensivo em todas as camadas , classes e segmentos sociais, em jornais, livros , histórias populares , anedotário e revistas , a forma de interação balizada pelo 'sabe com quem está falando'? Parece estar mesmo implantada - ao lado do carnaval , do jogo do bicho, do futebol e da malandragem - no nosso coração cultural. [...] Outro traço do 'sabe com quem está falando?' é que a expressão remete a uma vertente indesejável da cultura brasileira. Pois o rito autoritário indica sempre uma situação conflitiva , e a sociedade dependente, colonial e periférica, a nossa tem um alto nível de conflitos e de crises . Mas entre a existência da crise e o seu reconhecimento existe um vasto caminho a ser percorrido. Há formações sociais que logo buscam enfrentar as crises , tomando-as como parte intrínseca de sua vida política e social, enquanto , em outras ordens sociais , a crise e o conflito não inadmissíveis. Numa sociedade a crise indica algo a ser corrigido; noutra , representa o fim de uma era , sendo sinal de catástrofe . Tudo indica que, no Brasil , concebemos os conflitos como presságios do fim do mundo , e como fraquezas - o que torna difícil admití-los como parte de nossa história , sobretudo nas suas versões oficiais e necessariamente solidárias. [...] Ora , o que o estudo do 'sabe com quem está falando?' permite realizar é a descoberta de uma espécie de paradoxo numa sociedade voltada para tudo o que é universal e cordial , a descoberta do particular e do hierarquizado. E essa descoberta se dá em condições peculiares: há uma regra que nega e reprime o seu uso. Mas há uma prática igualmente geral que estimula seu emprego. [...] Assim, o carnaval é gritado e o 'sabe com quem está falando?' , escondido. Um é assunto de livros e de filmes ; O outro, de eventuais artigos antropológicos , não sendo posto no rol das coisas sérias e agradáveis , como o futebol , o jogo do bicho e a cachaça. [...] Mas, para tornar a situação complicada , havia muitos casos em que o 'sabe com quem está falando?' tinha sido usado por um inferior (ou subalterno) contra outra pessoa qualquer , como identificação social vertical mediatizando o uso da fórmula , isto é , com o subordinado tomando a projeção social do seu chefe, patrão ou empregador , como uma capa de sua própria posição. Desse modo, são fartos os exemplos do empregado usando o ritual de afastamento do seguinte modo 'sabe com quem está falando?' Eu sou o motorista do Ministro!' (ou do General Fulano de Tal! Ou do Chefe do SNI!). Um caso colhido por um dos meus colaboradores e narrado pelo próprio empregado (uma doméstica) é um excelente exemplo dessas reações verticais intensas , em que existe a projeção de posição social: 'Eu tomava conta de uma fazenda de um coronel e seus subordinados gozavam da casa. Um, por causa de uma mudança de quarto , resolveu perguntar se eu sabia com quem estava falando. Mas , quando chegou o coronel, eu perguntei a ele quem mandava na casa e ele disse que era eu e o 'com quem tá falando pedir desculpas'. O poder de tais usos e a nossa familiaridade com essa forma de identificação social revelam seu impacto e a sua frequência no cenário brasileiro. [...] quanto mais alta sua posição , mais impacto ganha o uso do 'sabe com quem está falando?' pelos seus inferiores , pois o fenômeno relevante é o da projeção da posição social para mais de um indivíduo , revelando como em certas formações sociais uma determinada posição social pode recobrir mais que um indivíduo , tendendo a ser tomada como uma verdadeira instituição.[...]"
-DAMATA , Roberto. Carnavais , malandros e heróis . Rio de Janeiro, Rocio , 1994. P. 182-191.
O Que As Mitocôndrias Podem Informar Sobre A Evolução Humana?
Na década de 1980 , a análise de dados genéticos passou a fazer parte das investigações científicas a respeito da origem dos humanos modernos. Uma ferramenta importante é a análise do DNA mitocondrial. Como vimos anteriormente , nem todo o material genético de uma célula encontra-se no núcleo. Nos seres humanos, além do genoma contido nos 23 pares de cromossomos, existe o DNA mitocondrial , que é circular e contém 37 genes , cada mitocôndria contém diversas cópias dessa molécula. A herança do DnA mitocondrial difere dos padrões de herança do DNA nuclear , pois as organelas citoplasmáticas de um zigoto - incluindo as mitocôndrias - vêm apenas do gameta feminino. Os espermatozoides contribuem na formação do zigoto apenas com o centríolo e o conjunto haploide de cromossomos nucleares provenientes do pai. Apesar de mitocôndrias do espermatozoide entrarem no ovócito no momento da fecundação, elas logo degeneram. A herança do citoplasma, portanto, é transmitida basicamente pela mãe para a descendência. O DNA mitocondrial tornou-se uma ferramenta útil para interpretar eventos evolutivos recentes por dois motivos básicos:
-Ele apresenta uma taxa de mutação elevada; as mutações são a fonte primária de variedade entre as moléculas. A comparação entre moléculas homólogas pode informar o tempo de divergência entre elas a partir de uma condição ancestral ; quanto maior o número de diferenças , maior o intervalo de tempo. No DNA nuclear , com uma quantidade de nucleotídeos muito maior e uma taxa de mutação menor , essas diferenças são mais difíceis de ser analisadas; -Não há recombinação entre genes maternos e paternos no DNA mitocondrial , pois a mitocôndria é herdada apenas da mãe. Isso facilita a interpretação dos dados , pois a variabilidade no DNA mitocondrial de uma população pode ser considerada como resultado do acúmulo de mutações gênicas, e não de recombinação. A análise de DNA mitocondrial em populações humanas revelou que a variação nesse DNA em humanos atuais é muito pequena. Uma explicação para este fato é que os seres humanos originaram-se recentemente na escala do tempo geológico, o que é corroborado pelo registro fóssil. Outra observação importante foi que os africanos apresentam, dentre as populações humanas atuais , a maior variabilidade no DNA mitocondrial, o que pode indicar que se trata da população mais antiga. Esse dado também sustentaria a hipótese mais aceita atualmente de que os hominídeos surgiram na África. No entanto , existem outras interpretações possíveis para esses dados moleculares , como a de que a variabilidade do DNA mitocondrial em populações africanas resulte apenas do fato de serem descendentes de populações mais numerosas. Os dados moleculares certamente constituem uma ferramenta importante , mas sua interpretação não é fácil e ainda existem muitas controvérsias no meio científico em relação às hipóteses sobre a origem do Homo sapiens.
Os Sonhos Dos Adolescentes
Ao longo de 30 anos de clínica , encontrei várias gerações de adolescentes ( a maioria, mas não todos, de classe média) e , se tivesse que comparar os jovens de hoje com os de dez ou 20 anos atrás , resumiria assim: eles sonham pequeno. É curioso , pois, pelo exemplo de pais , parente e vizinhos, os jovens de hoje sabem que sua origem não fecha seu destino: sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar onde nasceram , sua profissão não tem que ser a continuação da de seus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária de ficções e informações, eles conhecem uma pluralidade inédita de vidas possíveis. Apesar disso, em regra, os adolescentes e os pré-adolescentes de hoje tem devaneios sobre seu futuro muito parecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia a dia que, para nós, adultos , não é sonho algum , mas o resultado (mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações. Um exemplo. Todos os jovens sabem que Greenpeace é uma ONG que pratica ações duras e aventurosas em defesa do meio ambiente. Alguns acham muito legal assistir , no noticiário, à intrépida abordagem de um baleeiro por um barco inflável de ativistas. Mas , entre eles , não encontro ninguém (nem de 12 ou 13 anos) que sonhe em ser militante do Greenpeace. Os mais entusiastas se propõem a estudar oceanografia ou veterinária, mas é para ser professor, funcionário ou profissional liberal. Eles são "razoáveis": seu sonho é um ajuste entre suas aspirações heroico-ecológicas e as "necessidades" concretas (segurança do emprego , plano de saúde e aposentadoria). [...] É possível que, por sua própria presença maciça em nossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial e sejam contempladas não como um repertório arrebatador de vidas possíveis , mas como um caleidoscópio para alegrar os olhos , um simples entretenimento. Os heróis percorrem o mundo matando dragões, defendendo causas e encontrando amores solares, mas eles não nos inspiram: eles nos divertem , enquanto, comportadamente , aspiramos a um churrasco [...] com os amigos. É também possível (sem contradizer a hipótese anterior) que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seu raiz. Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem seu futuro depende dos sonhos aos quais nós renunciamos. Pode ser que, quando eles procuram, nas entrelinhas de nossas falas , as aspirações das quais desistimos, eles se deparem apenas com versões melhoradas da mesma vida acomodada que, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época tem os adolescentes que merece.
-Calligaris, Contardo. Os sonhos dos adolescentes. Folha de S. Paulo, 11 Jan. 2007. Ilustrada, p. E10.
A Mudança Social Para Os Clássicos Da Sociologia
Karl Marx- Em seus estudos sobre as transformações sociais, Marx também analisou a Revolução Francesa , mas a considerou puramente política, já que não alterou substancialmente a vida dos que nada tinham. De acordo com ele, apesar de ter sido fundamental para o fim do feudalismo, essa revolução foi parcial , pois , realizada por uma minoria , não emancipou a sociedade toda. Para Max o radicalismo de uma revolução está no fato de ela ser realizada por quem é maioria na sociedade. Só uma classe capaz de representar os interesses de libertação para todos pode liderar uma transformação, pois esta é sempre o resultado dos conflitos entre as classes fundamentais da sociedade. No capitalismo essas classes são a burguesia e o proletariado. E só o proletariado pode transformar essa sociedade. Mas por que a teoria marxista atribuía ao proletariado o poder revolucionário? O sociólogo francês Robert Castel esclarece isso no seu livro "As Metamorfoses da Questão Social" : A constituição de uma força de contestação e de transformação social supõe a reunião de pelo menos três condições - uma organização estruturada em torno de uma condição comum, a posse se um projeto alternativo de sociedade, o sentimento de ser indispensável para o funcionamento da máquina social. Se a historia social gravitou durante mais de um século em torno da questão operária , é porque o movimento operários realizava a síntese dessas três condições---> tinha seus militantes e seus aparelhos, era portador de um projeto de futuro , e era o principal produtor da riqueza social na sociedade industrial". Entretanto, para Marx , as transformações não parte do zero. Ela sempre nega e supera uma situação anterior ; os participantes de uma revolução utilizam a cultura e as tecnologias transmitidas pelas gerações anteriores para criar novas formas de organização produtiva e política. As transformações sempre incorporam alguma coisa do passado. A parte do passo que é incorporada e a maneira como isso ocorre muitas vezes condicionam o resultado das mudanças futuras. Há um processo de continuidade e ruptura que depende das forças sociais em conflito. Tais forças definem o que será preservado e o que será abandonado. Marx destacou que na atividade revolucionária os indivíduos se transformam para mudar as condições sociais em que vivem. Observou , ainda , que as revoluções só seriam possíveis por meio da violência , a "parteira da história" , pois os que detinham o poder jamais abririam mão dele e de seus privilégios pacificamente.
Revolução Liberal Na Bélgica
A Bélgica estava unida à Holanda , no Reino dos Países Baixos, mas entre os dois países existiam notáveis diferenças : A Bélgica tinha uma economia que estava rapidamente se industrializando e seguia a religião católica ; a Holanda estava voltada ao protestantismo e sua economia centrava-se na agricultura e no comércio. No dia 25 de agosto de 1830 , um incidente ocorrido num teatro de Bruxelas precipitou os acontecimentos. O povo saiu em tumultos. O exército holandês se movimentou , mas não conseguiu conter os ânimos dos revoltosos os holandeses acabaram por se retirar e os belgas proclamaram sua independência . A Santa Aliança (Áustria , Rússia e Prússia) estava pronta a intervir e a condenar a liberdade proclamada pelos belgas. Foi realizada uma conferência internacional , na qual tomaram parte a Áustria , Rússia , a Prússia , a França e a Inglaterra. A França e a Inglaterra se colocaram ao lado dos belgas. Assim, em 1831, subia ao governo da Bélgica o príncipe Leopoldo , na condição de primeiro monarca constitucional belga. Aparentemente um reino autônomo , sob a soberania do Czar Nicolau I ( Da Rússia), a Polônia , na realidade, sofria um regime tirânico e com uma forte exploração econômica. Era compreensível que as "sociedades secretas" estendessem sua influência sobre o exército e entre os intelectuais. Em novembro de 1830 , estudantes e cadetes da Escola Militar de Varsóvia se levantaram aos gritos de "Viva a Liberdade". A Insurreição colhei de surpresa os russos e a própria nobreza polaca , que tentou dar ao movimento um caráter moderado. O destino dessa revolta dependia , em grande parte, da decisão do novo Parlamento polaco ( a Dieta) , que concedeu terras aos camponeses , que há anos desejavam possuí-las. A revolução tinha o apoio decisivo dos trabalhadores do campo. Mas a Dieta abandonou todos os planos propositadamente. O Czar envia 130.000 homens contra os revoltosos ; o exército polaco conta apenas com a metade . Por sete meses, lutaram contra os invasores. Em setembro de 1831, Varsóvia , a brava cidade , capitula. Contudo, a total independência da Polônia só aconteceu em 1855.
Prefácio da História
Leôncio Basbaum , em sua excelente "História Sincera da República" , diz que : "O objetivo da história não é apenas o de narrar e constatar fatos do passado , mas buscar as suas origens e as suas consequências. Quando nos propomos estudar a História de um país ou de um povo , ou simplesmente um determinado episódio histórico, não nos deve mover somente um interesse anedótico ou mera curiosidade. Também a História não se pode resumir a "uma exaltação de heróis para incentivo da juventude", ou mera recordação de 'nossas glórias passadas'. O que queremos da História é muito mais do que isso. Ela não se pode limitar a uma simples enumeração cronológica dos fatos , mas deve buscar as relações entre eles , aprofundar , descer às duas raízes , até encontrar as causas desses fatos." O estudo crítico da História auxilia o jovem a chegar à sua primeira maturidade , que é perceber-se como ser social e histórico , que depende de um passado para compreender e integrar-se na realidade do mundo em que vive. Para favorecer esse senso de maturidade individual e grupal, este livro dá condições de analisar e refletir sobre a presença do ser humano envolvido em problemas e realizações durante a Idade Moderna e a Contemporânea. Da maturidade vai nascer a responsabilidade e o compromisso com o mundo contemporâneo e, em especial , com o seu país , do qual o jovem é um dos construtores da História. O estudo da História constitui um convite para refletir sobre alguns valores que sempre acompanham a sociedade e são as bases da sua estrutura . Como o trabalho , a solidariedade, as ideias e realizações científicas , a paz e a colaboração internacional , a tolerância política , ideológica e religiosa , a liberdade , a justiça e a ordem social. Assim, o jovem , sob a liderança do professor , pode chegar a perceber a dimensão temporal dos fenômenos históricos , e neles achar o seu lugar e realizar a sua parte na caminhada da humanidade , marcada pela busca constante de mudanças. Analisando essa caminhada até o presente , os jovens irão reconhecer , no passado , uma grande herança e irão ver o presente como a responsabilidade de conservar e o direito de usufruir os valores recebidos e a necessidade de continuar construindo juntos.
-Antônio de Siqueira e Silva -
Karl Marx , Os Indivíduos E As Classes Sociais
Para o alemão Karl Marx (1818-1883) , os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto de suas condições e situações sociais, já que produzem sua existência em grupo. O homem primitivo , segundo ele, diferenciava-se dos outros animais não apenas pelas características biológicas , mas também por aquilo que realizava no espaço e na época em que vivia. Caçando , defendendo-se e criando instrumentos , os indivíduos construíram sua história e sua existência no grupo social. Ainda segundo Marx , a ideia de indivíduo isolado só apareceu efetivamente na sociedade de livre concorrência , ou seja, no momento em que as condições históricas criaram os princípios da sociedade capitalista. Tomemos um exemplo simples dessa sociedade. Quando um operário é aceito numa empresa, assina um contrato do qual consta que deve trabalhar tantas horas por dia e por semana e que tem determinados deveres e direitos , além de um salário mensal. Nesse exemplo, existem dois indivíduos se relacionando : o operário, que vende sua força de trabalho, e o empresário , que compra essa força de trabalho. Aparentemente se trata de um contrato de compra e venda entre iguais. Mas só aparentemente , pois o "vendedor" não escolhe nem como vai trabalhar. As condições já estão impostas pelo empresário e pelo meio social. Essa relação entre dois , no entanto, não é apenas entre indivíduos , mas também entre classes sociais : a operária e a burguesa. Eles só se relacionam, nesse caso, por causa do trabalho: o empresário precisa da força de trabalho do operário e este precisa de salário. As condições que permitem esse relacionamento são definidas pela luta que se estabelece entre as classes , com a intervenção do Estado, por meio das leis, dos tribunais ou da polícia. Essa luta vem se desenvolvendo há mais de duzentos anos em muitos países e nas mais diversas situações , pois empresários e trabalhadores têm interesses opostos. O Estado aparece aí para tentar reduzir o conflito , criando leis que, segundo Marx , normalmente são a favor dos capitalistas. O foco da teoria de Marx está , assim, nas classes sociais, embora a questão do indivíduo também esteja presente. Isso fica claro quando Marx afirma que os seres humanos constroem sua história , mas não da maneira que querem, pois existem situações anteriores que condicionam o modo como ocorre a construção. Para ele , existem condicionantes estruturais que levam o indivíduo, os grupos e as classes para determinados caminhos; mas todos têm capacidade de reagir a esses condicionamentos e até mesmo de transformá-los. Marx se interessou por estudar as condições de existência de homens reais na sociedade. O ponto central da sua análise está nas relações estabelecidas em determinada classe e entre as diversas classes que compõem a sociedade. Para ele, só é possível entender as relações dos indivíduos com base nos antagonismos , nas contradições e na complementaridade entre as classes sociais.
Santo Agostinho E A Alimentação
Enquanto o Império Romano desmoronava diante dos bárbaros, Santo Agostinho , um convertido à fé cristã, condenando entre outras a gula, um dos pecados capitais segundo o cristianismo , escrevia:
"Sustento uma guerra cotidiana com jejuns , reduzindo o corpo à escravidão . Ma depois disto vem o prazer para afastar as minhas dores. Efetivamente, se o remédio dos alimentos não nos socorrer , a fome e a sede tornam-se tormentos que abrasam e matam como a febre. Ora, estando este remédio sempre ao nosso alcance , graças à liberalidade dos vossos dons, que faz com que a terra, a água e o céu sirvam à nossa enfermidade, chamamos delícias a tal desgraça. Ensinastes-me a tomar os alimentos , só como remédio. [...] Sendo a saúde o motivo do comer e beber , o prazer junta-se a esta necessidade , como um companheiro perigoso. Ordinariamente procura ir adiante, para que se faça por ele o que, segundo vou dizendo , faço ou quero fazer por causa da saúde. Ora , o limite não é o mesmo para ambos s casos, pois o que basta à saúde é insuficiente para o prazer. Muitas vezes não se vê bem ao certo se é o cuidado necessário do corpo que pede esse esforço do alimento ; ou se é a voluptuosa e enganadora sensualidade que exige ser servida. [...] Esforço-me todos os dias por resistir a estas tentações , invocando , em meu auxílio , a vossa destra , e submetendo-Vos [a deus] as minhas incertezas , porque matéria ainda não está firme o meu parecer. [...] Arrancai-me de toda tentação. Não receio a impureza do alimento, mas temo a imundície do prazer."
Santo Agostinho, Confissões, São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 288. Col. Os pensadores.
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