A hemofilia é um doença genética em que a capacidade de coagulação do sangue é muito reduzida . A demora na coagulação provoca sangramentos prolongados em ferimentos ou hemorragias internas nas articulações e músculos. Essa doença ocorre por causa da falta de um dos fatores de coagulação presentes no plasma. O tipo mais comum , responsável por cerca de 85% dos casos , é a hemofilia A, causada pela deficiência do fator VIII de coagulação . A síntese dese fator fator é controlada por um gene presente no cromossomo X. O alelo mutante e recessivo provoca a hemofilia pela ausência desse fator. Na hemofilia B está ausente desse fator. Na hemofilia B está ausente o fator IX, também sintetizado por um gene no cromossomo X. Na hemofilia C está ausente o fator XI, sintetizando por um gene autossômico. A doença pode ser controlada administrando o fator que está ausente no sangue. a herança da hemofilia A segue o mesmo padrão do daltonismo. A proporção de homens hemofílicos é de cerca de 6 em 10 mil. Se um homem com homofilia A (XhY) se casar com uma mulher não hemofílica (XhXh) , nenhum dos seus filhos e filhas terá a doença , mas as filhas serão portadoras do alelo para a doença (XhXh) e poderão ter filhos hemofílicos . Portanto , a hemofilia (e outros caracteres ligados ao sexo) transfere-se de um homem para seu neto por meio de sua filha. As mulheres hemofílicas são muito raras (XhXh) , pois as uniões capazes de produzi-las têm chance muito pequena de ocorrer. É necessário que um homem hemofílico (XhY, pouco comum) se case com uma mulher XhXh, também pouco comum , para nascerem filhas hemofílicas, As raras mulheres portadoras da anomalia precisam receber tratamento portadoras da anomalia precisam receber tratamento intensivo com fator anti-hemofílico. Há casos em que é necessário inibir o ciclo menstrual com hormônios para evitar a perda de sangue na menstruação .
A Tecnologia do DNA
Há muito tempo o ser humano vem conseguindo , por meio de cruzamentos seletivos , variedades mais resistentes , mais produtivas ou mais nutritivas de animais e plantas, Por exemplo, variedades de milho que produziam mais grãos foram cruzadas entre si por muitas gerações, obtendo-se variedades mais produtivas. Dessa forma surgiram também vacas que produzem mais leite. Além disso, a espécie humana utiliza há muito temo inúmeros produtos de microrganismos. Essa utilização de microrganismos , plantas e animais para a produção de substâncias úteis ao ser humano é chamada de biotecnologia. Nessa parte , conheceremos uma nova biotecnologia, baseada nas técnicas modernas de manipulação do DNA: a engenharia genética ou tecnologia do DNA recombinante , que permite , entre outras coisas, transplantar genes de uma espécie para outra e criar , assim , uma molécula de DNA que não existia na natureza. Essa molécula , formada pela combinação de duas moléculas diferentes de DNA, é chamada de DNA recombinante. Vamos aprender também como é feito o teste de paternidade e o diagnóstico de doenças hereditárias. Com o desenvolvimento da engenharia genética foi possível alterar geneticamente um ser vivo de modo que ele produza substâncias úteis ao ser humano. A grande vantagem dessa técnica é a rapidez e a precisão da produção da substância normalmente produzida por algum organismo , procedimentos em geral demorados , e a características ou substâncias obtida nem sempre era, exatamente , a desejada. Como sabemos , os bacteriófagos atacam bactérias , reproduzem-se no interior delas e as destroem no fim do ciclo, Algumas de defendem contra esse ataque produzindo enzimas especiais, chamadas de enzimas de restrição , que fragmentam o DNA do vírus e impedem sua reprodução. A enzima EcoRi, por exemplo, produzida pela bactéria Escherichia Coli , foi a primeira a ser descoberta (o nome dela vem das iniciais de Escherichia coli, mais R de restrição e o I indica que ela foi primeira enzima a ser descoberta). Ela reconhece a sequência GAATTC e corta as duas cadeias do DNA entre o G e o A. Como essa sequência se repete algumas vezes ao longo do DNA viral , este é cortado em vários fragmentos . Outros organismos também apresentam essa sequência repetidas vezes em seu genoma. Dessa forma, a EcoRi pode ser usada como uma "tesoura" que corta o DNA dos seres vivos em partes menores. Mais de duzentos tipos de enzimas de restrição foram isolados de diversos microrganismos , cada uma com a capacidade de reconhecer e cortar uma sequência específicas do DNA. Essas enzimas se transformaram em grande ferramento da engenharia genética e sua descoberta é considerada o ponto de partida para a tecnologia do DNA recombinante.
Projeto Genoma Humano
Iniciado em 1990 , o Projeto Genoma Humano procura descobrir a posição de cada gene no cromossomo (mapeamento) e estabelecer a sequência de bases de cada gene (sequenciamento). Em abril de 2003 foi estabelecida a sequência de bases de 99,99% dos cerca de 3,3 bilhões de pares de nucleotídeos que compõem os genes humanos (escrita com letras do tamanho das desta página , a sequência de bases do genoma humano ocuparia mais de 1500 volumes iguais a este livro). Calcula-se que haja entre 20 mil 2 25 mil genes que codificam proteínas , mas há entre os genes dos eucariontes grandes sequências de nucleotídeos repetidos e trechos formados por sequências de bases que não codificam proteínas. Alguns desses trechos são formados por genes que participam da regulação da expressão dos outros genes. Além disso, o RNAm sintetizado pelo DNA pode ser "cortado" e "recombinado, formando novas moléculas , o que faz com que um gene possa produzir mais de uma proteína. O genoma de outros organismos, como ratos , bactérias e plantas , também vem sendo sequenciado. Esses estudos nos permitem compreender não apenas a fisiologia desses organismos , mas também a nossa, visto que compartilhamos muitos de nossos genes com outros organismos. Vejamos algumas aplicações do Projeto genoma Humano: 1ª- Permitir a identificação dos genes que causam ou que contribuem para doenças genéticas ou para o câncer , aumentando a capacidade de diagnosticar doenças na fase inicial por meio de testes genéticos e a probabilidade de cura. Cerca de cinquenta alterações em genes que provocam câncer já são conhecidas. 2ª- Ajudar no aconselhamento genético , que analisa as chances de um casal transmitir doenças hereditárias para o filho. Dessa forma, é possível , depois dos exames pré-natais , avaliar as doenças que poderão ser transmitidas aos filhos e as formas de evitá-las ou tratá-las desde cedo. 1- Descobrir mais sobre o funcionamento do gene , e até a forma como ele controla ou influencia diversas características. Desse modo , podemos compreender melhor as causas do envelhecimento, da obesidade e de muitas doenças.2- Ajudar a descobrir a sequência de aminoácidos de várias proteínas , o que permitiria entender melhor sua função e criar novos medicamentos. é o estudo do proteoma.3- Criar drogas específicas para cada tipo de doença e de indivíduo , aumentando sua eficácia e reduzindo os efeitos colaterais. 3- Analisar o grau de parentesco evolutivo entre as espécies (metade do genoma do ser humano é igual ao da mosca -das-frutas) e entre grupos de populações , criando árvores genealógicas, compreendendo melhor a evolução dos grupos e das espécies. O exame da ancestralidade genômica é capaz de revelar as origens de uma pessoa. 4- Facilitar o desenvolvimento de plantas e animais transgênicos. O grande desafio da chamada "era genômica" é a determinação da coleção de proteínas expressas pelos genoma , em momentos específicos , na célula. O estudo do proteoma , como é chamado , se põe como uma continuação do Projeto Genoma, Após a determinação da sequência de bases nitrogenada pelo Projeto Genoma , o projeto do proteoma se dedicará a determinar qual coleção de genes estará sendo expressa em resposta às variáveis ambientais e metabólicas.
Adaptações Das Presas E Dos Predadores
Os dentes caninos bem desenvolvidos dos animais carnívoros , a peçonha da algumas serpentes e até mesmo o uso de armas pelo ser humano são alguns exemplos de uma infinidade de recursos que os predadores possuem para facilitar a captura da presa. A corrida do cavalo ou da zebra , o chifre do rinoceronte , as presas do elefante , os espinhos do ouriço-do-mar e do porco-espinho e a carapaça da tartaruga são defesas da presa contra seus predadores. Muitos artrópodes produzem secreções irritantes contra seus predadores , como o besouro-bombardeiro, que lança pelo abdome um líquido ácido e quente (quase 100 ºC) A camuflagem , a coloração de advertência e o mimetismo sã três artifícios usados por presas e predadores que, por sua importância ecológica, merecem ser vistos com mais detalhes. O animal confunde-se , no aspecto ou na cor , com o ambiente em que vive, o que dificulta sua visualização pelo predador ou pela presa. Para esta , a camuflagem serve de defesa. pois a ajuda a se esconder do predador, Para aquele , serve para facilitar sua aproximação até que dê o ataque. Os exemplos no reino animal são muitos : o urso-polar que se confunde com a neve; o leão, com o capim seco; os pássaros de cor verde, com a vegetação. Nos insetos , a camuflagem atinge alto grau de aperfeiçoamento e podemos ver impressionantes imitações de folhas , galhos de árvores, espinho, etc. O Urutau é uma ave encontrada no Pantanal Mato-Grossense que dorme sobre a extremidade de uma árvore, ficando bem camuflado.
Irritabilidade e Sensibilidade
As plantas que realizam nastias (movimentos não orientados em relação a estímulos externos) também não possuem sensibilidade. Aqui se enquadram a sensitiva ou dormideira (Mimosa Pudica) e as "ascídeas" ou plantas carnívoras. Elas possuem unicamente um grande número de canais capilares cheios de água que convergem para pontos estratégicos, onde se localizam bolsas celulares. Qualquer abalo na superfície de uma dessas plantas (seja pelo vento forte, por um inseto ou pelo homem) acarreta a "irritabilidade" de algumas células , que liberam um fitormônio capaz de alterar a permeabilidade da membrana plasmática das células das bolsas mencionadas acima. Essas células , então, absorvem rapidamente a água dos canais. Pela variação de peso dessas bolsas e considerando a flexibilidade de alguns tecidos de sustentação, ocorrem os movimentos de fechamento da planta. Mas a planta não "distingue" a natureza do estímulo. Logo, trata-se apenas de irritabilidade e não de sensibilidade. Depois , lentamente , por capilaridade , a água volta para os canais e a planta reassume sua posição normal. Os Extra-receptores - São os receptores espalhados pela superfície corporal , como olhos , ouvidos e corpúsculos sensoriais do tato e do gosto, bem como as terminalizações nervosas da mucosa nasal. Interoceptores - Estão localizados nos órgãos internos , como os nódulos carotídeos , que percebem as variações da pressão arterial ou do teor de CO2 no sangue, transmitindo a informação aos centros nervosos superiores, ou como as terminações nervosas nas vísceras , que permitem ao indivíduo sentir uma dor no estômago ou uma incomodidade na bexiga , como acontece na cistite. Proprioceptores - São receptores muito especiais , situados no interior do músculo , e que transmitem ao cérebro estímulos indicativos do grau de contração ou relaxamento muscular. É graças aos proprioceptores que você pode deduzir a altura a que elevou o pé ao subir um degrau , mesmo sem olhar para baixo. Também são os proprioceptores que lhe permitem saber quando a sua bexiga está cheia ou quando o seu intestino tem conteúdo para eliminar.
O Conceito de Configuração
De acordo com o sociólogo alemão Nobert Elias (1897-1990) , é comum distanciarmos indivíduo e sociedade quando falamos dessa relação, pois parece que julgamos impossível haver , ao mesmo tempo, bem estar e felicidade individual e uma sociedade livre de conflitos. De um lado está o pensamento de que as instituições - família , escola e Estado - devem estar a serviço da felicidade e do bem-estar de todos ; de outro , a ideia da unidade social acima da vida individual. As distinções entre indivíduo e sociedade levam a pensar que se trata de duas coisas separadas, como mesas e cadeiras, tachos e panelas. Ora, é somente nas relações e por meio delas que "os indivíduos podem possuir características humanas , como falar , pensar e amar" , como diz Elias em seu livro "A Sociedade dos Indivíduos" . E poderíamos complementar declarando que só é possível trabalhar , estudar e divertir-se em uma sociedade que tenha história , cultura e educação , e não isoladamente. Para explicar melhor o que afirma e superar a dicotomia entre indivíduo e sociedade, Elias criou o conceito de configuração (ou figuração). É um ideia que nos ajuda a pensar nessa relação de forma dinâmica , como acontece na realidade. Tomemos um exemplo : se quatro pessoas se sentam em volta da mesa para jogar baralho , formam uma configuração, pois o jogo é uma unidade que não pode ser vista sem os participantes e sem as regras. Sozinho, nenhum deles consegue jogar; juntos, cada um tem sua própria estratégia para seguir as regras e vencer. Vamos citar um exemplo mais brasileiro. Em um jogo de futebol, temos outra configuração , ou seja , há um conjunto de "eus" , de "eles" , de "nós". Um time de futebol é composto de vários "eus"- os jogadores - , que têm um objetivo único ao disputar com os do outro time. Há também as regras que devem ser marcar as possíveis infrações. Além disso, há a torcida , que também faz parte do jogo e congrega vários outros indivíduos com interesses diferentes , mas que , nessa configuração, têm um objetivo único : torcer para que seu time vença. Assim, há um fluxo contínuo durante o jogo , que só pode ser entendido nesse contexto , nessa configuração. Essa relação acontece entre os jogadores , entre eles e a torcida , entre eles e o técnico , entre os torcedores , e entre todos e as regras, os juízes , os bandeirinhas , o técnicos e os gandulas. Fora desse contexto , não há jogo de futebol , apenas pessoas , que viverão outra configuração , em outros momentos. No grupo social é assim : não há separação entre indivíduo e sociedade. Tudo deve ser entendido de acordo com o contexto; caso contrário , perdem-se a dinâmica da realidade e o pode de entendimento. O conceito de configuração pode ser aplicado a pequenos grupos ou a sociedades inteiras , constituídas de pessoas que se relacionam . Esse conceito chama a atenção para a interdependência entre as pessoas. Por isso, Elias utiliza a expressão sociedade dos indivíduos, realçando a unidade , e não a divisão.
A Descoberta Dos Genes Das Mutações
Em 1900 , as leis de Mendel foram redescobertas por Correns , Tschermak e De Vries . Assim , eliminava-se uma das objeções a Darwin : a de que os fatores responsáveis pelas características se misturam nos filhos . Como Mendel demonstrou , os fatores responsáveis pela hereditariedade separam-se de forma independente na formação dos gametas. Um ano depois , De Vries questionou a teoria de Darwin ao afirmar que apenas grandes mudanças, surgidas repentinamente nos organismos , poderiam explicar a evolução. Ele achava que as pequenas variações individuais não eram suficientes para originar outras espécies, mesmo com o contínuo trabalho de seleção natural. Para ele , as novas espécies surgiam de repente de uma espécie anterior , sem nenhuma transição. Portanto, ele atribuirá pouca importância à seleção natural. Embora De Vries tenha chamado essas grandes mudanças de mutações , ele aplicava tal termo apenas para formas novas de plantas com anomalias no número de cromossomos. E ainda que tenha sido por intermédio dele que essa palavra começou a aparacer em Genética, foram os trabalhos de Morgan , a partir de 1909 , que introduziram a expressão alteração genética. Posteriormente , com a elaboração de um modelo de gene que corresponde a um trecho da molécula de DNA , a mutação pôde ser explicada como uma alteração na sequência de bases nitrogenadas do DNA. Assim, a mutação mostrou-se como a matéria-prima para seleção natural , originando novos alelos e produzindo variações fenotípicas. A teoria sintética foi desenvolvida a partir da década de 1930 de 1930 com base em contribuições de cientistas de vários países , como Ronald A. Fischer (1890-1962) , J. B. S. Haldane (1892-1964) , Sewall Wright (1889 - 1988) , Theodosius Dobzhansky (1900-1975), George Gaulord Simpson (1902-1984), G. Ledyard Stebbins (1906-2000) e Ernest Mayr(1904-2005). Nesse período várias descobertas e novas ideias ajudaram a esclarecer pontos obscuros do darwinismo , resultando na teoria sintética. Essa teoria analisa os fatores que alteram a frequência dos genes nas populações , como a mutação, a seleção natural , a migração seguida de isolamento geográfico e reprodutivo , e a deriva genética (mudança ao acaso na frequência dos genes).
Desigualdades de Riqueza , Prestígio e Poder
Max Weber , ao analisar a estratificação social em uma sociedade , parte da distinção entre as seguintes dimensões;
-Econômica - Quantidade de riqueza (posses e renda) que as pessoas possuem ;
-Social- Status ou prestígio que as pessoas ou grupos têm , seja na profissão, seja no estilo de vida;
-Política - quantidade de poder que as pessoas ou grupos detêm nas relações de dominação em uma sociedade. Partindo dessas três dimensões , ele afirma que muitas pessoas podem ter renda e posses , mas não prestígio, nem status , nem posição de dominação. Um indivíduo que recebe uma fortuna inesperada , por exemplo, não conquistará , necessariamente , prestígio ou poder. Outras podem ter poder e não ter riqueza correspondente à dominação que exercem. Exemplos disso são pessoas ou grupos que se instalam nas estruturas de poder estatal e burocrático e ali permanecem durante muito tempo. Outras pessoas, ainda , podem ter certo status e prestígio na sociedade , mas não possuir riqueza nem poder. Por exemplo, certos artistas da televisão ou intelectuais consagrados. Weber concebe , assim , hierarquias sociais baseadas em fatores econômicos (as classes), em prestígio e honra (os grupos de status) e em poder político (os grupos de poder). Para ele , classe é todo grupo humano que se encontra em igual situação de classe , isto é , os membros de uma classe têm as mesmas oportunidades de acesso a bens , a posição social e a um destino comum. Essas oportunidades são derivadas , de acordo com determinada ordem econômica , das possibilidades de dispor de bens e serviços. Max Weber também escreve sobre as lutas de classes , mas , diferentemente de Marx , afirma que elas ocorrem também no interior de uma mesma classe. Se houver perda de prestígio , de poder ou até de renda no interior de uma classe ou entre classes, poderão ocorrer movimentos de grupos que lutarão para mantê-los e , assim, resistirão às mudanças. Ele não vê a luta de classes como o motor da história , mas como uma das manifestações para a manutenção de poder , renda ou prestígio em uma situação histórica específica. Essa perspectiva permite entender muitos movimentos que aconteceram desde a Antiguidade até hoje.
Sintese de Proteínas
As características morfológicas e fisiológicas de um ser vivo dependem dos tipos de proteína sintetizados por seu organismo. A síntese dessas proteínas , por sua vez, depende da atuação do DNA das células em interação com os ácidos ribonucleicos (RNA) , o aparato enzimático e determinadas estruturas celulares. Ao contrário do DNA, cuja molécula é formada de um filamento duplo , a molécula de RNA tem apenas um filamento de nucleotídeos (alguns vírus , porém , têm RNA com filamento duplo), que possuem ribose, no lugar da desoxirribose , e a base nitrogenada uracila, em vez de timina . Além disso, há moléculas de RNA que, embora não determinem a estrutura de proteínas , possuem importantes funções no metabolismo celular. Um trecho de um filamentos do DNA , com o auxílio de enzimas, fabrica uma molécula de RNA chamada RNA mensageiro (RNAm). Nessa síntese chamada transcrição, os encaixes obrigatórios entre as bases são novamente respeitados. Desse modo , um trecho do DNA serve como molde para orientar a síntese de um RNA específico . Esse RNA , por sua vez, vai atuar no citoplasma , na síntese de uma proteína específica. Durante a síntese de proteínas (tradução), intervém outro tipo de RNA , de molécula menor, o RNA transportador (RNAt), cuja função é levar os aminoácidos até o RNAm. Cada tipo de RNAt carrega apenas um tipo de aminoácido. Os aminoácidos são colocados em posições definidas , de acordo com o encaixe específico entre três bases do RNAt ( o anticódon) e três do RNAm (o códon). Assim , a sequência de bases do RNAm determina a sequência de aminoácidos , o que vai caracterizar o tipo de polipeptídeo ou de proteína formado (uma proteína pode ser formada por dois ou mais polipeptídeos). De forma simplificada, podemos dizer, então, que a sequência de bases de um segmento de bases do RNAm. Essa sequência define o tipo de polipeptídeo ou de proteína formado. Por sua vez , as proteínas , mais a influência dos fatores ambientais, são responsáveis por determinados efeitos estruturais ou funcionais do organismo, isto é , por suas características (fenótipo). Como vimos no primeiro volume desta parte , um segmento de DNA pode originar mais de uma proteína ou de uma cadeia polipeptídica, pela remoção de certos trechos do RNAm (íntrons) e pela união de trechos codificantes (éxons) de diferentes maneiras , antes de sua participação na síntese de uma proteína. Além disso, boa parte de nosso DNA não codifica proteína , estando envolvida , por exemplo. Na regulação da atividade dos genes. Ocasionalmente ocorrem alterações no material genético , chamadas mutações, que podem ser causadas por radiações , substâncias químicas ou erros no emparelhamento das bases não corrigidos pelas enzimas que agem na duplicação do DNA. As mutações modificam a sequência de bases nitrogenadas , o que pode alterar as proteínas fabricadas e , consequentemente, as características do organismo. O gene modificado poderá alterar alguma função da célula e até provocar uma doença. A mutação pode afetar também genes que controlam a divisão e causar certos tipos de câncer , como o de mama, o retinoblastoma (câncer na retina), algumas formas de leucemia, etc.
Revolução e Transformação Social
Já estudamos as teorias que procuraram explicar as mudanças sociais. Neste , vamos tentar entender o processo que foi chamado de revolução e que significou uma mudança profunda nas sociedades em que aconteceu. Revolução é a transformação radical das estruturas sociais, políticas e econômicas de uma sociedade. Outros tipos de alteração podem ser chamados de reformas sociais ou apenas de mudanças parciais. De acordo com o pensador italiano Umberto Meloti, tanto o reformador quanto o revolucionário almejam mudanças sociais, mas não as mesmas. As mudanças propostas pelos reformadores não se contrapõem aos interesses das classes dominantes , podendo até ser utilizadas para consolidar sua permanência no poder. Já uma revolução se opõe sempre aos interesses das classes dominantes , pois tem por objetivo eliminar a sua hegemonia. Assim, as reformas são realizadas por quem esta no poder , enquanto a revolução se processa contra esse poder. Melotti destaca que a reforma procura alterar elementos não essenciais , reparando determinados problemas para garantir a manutenção da situação vigente , enquanto a revolução é um ato de emancipação social, que objetiva destruir o existente para reconstruir a sociedade em novas bases. A história das sociedades é marcada por uma série ininterrupta de reformas e revoluções, mas são estas últimas que assinalam momentos autênticos de busca de emancipação efetiva. Para entender o desenvolvimento e o significado de revoluções , vamos analisar sociologicamente algumas delas.
Herança Ligada Ao Sexo
Os cromossomos X e Y possuem pequenas regiões homólogas (pseudoautossômicas) nas extremidades que se emparelham na meiose . Na parte não homóloga do X ( a maior) estão situados vários genes que controlam diversas funções no organismo , entre elas a produção de pigmentos nas células da retina , que possibilitam a visão de cores e a produção de uma proteína importante para a coagulação do sangue. Mutações nesses genes podem causar distúrbios, como o daltonismo (dificuldade de percepção de certas cores) e a hemofilia (dificuldade de coagulação do sangue). Os genes situados nessa região especial do cromossomo x são chamados de genes ligados ao cromossomo X. O tipo de herança no qual estão envolvidos é chamado de herança ligada ao sexo ou herança ligada ao cromossomo X. Os alelos desses genes podem aparecer em dose dupla nas mulheres; mas o homem (XY) só apresenta um deles. Por isso a mulher pode ser homozigótica e heterozigótica para esses alelos; o homem é caracterizado como hemizigótico. Assim, se ele possuir um alelo para um caráter recessivo ligado ao sexo (como o daltonismo e a hemofilia), esse caráter recessivo só se manifestará quando o alelo estiver em dose dupla. Essa situação acarreta a existência de um número maior de homens que de mulheres com caracteres recessivos ligados ao sexo. Para entender esse fato convém lembrar que a probabilidade de ocorrerem dois alelos no mesmo indivíduo é o produto das probabilidades desses alelos isoladamente. Por exemplo, se a frequência de determinado alelo d é 10% , essa será a frequência de machos portadores da característica , representados por XdY (Os alelos exclusivos do cromossomo X são representados à direita e acima) . Para apresentar essa característica, uma fêmea deve ser XdXd : a probabilidade será 10% ) 10% = 1%.
Vinculação Ao Sexo
É a ligação notável de certos caracteres ao sexo. O fenômeno é observável pela ocorrência do caráter , mais frequentemente nos indivíduos de um sexo do que nos indivíduos do outro sexo. Isso se justifica pelo fato de estar o gene condicionante do caráter em foco situado num locus do heterocromossomo X. Na primeira década dos século XX, nos laboratórios da Universidade de Colúmbia , nos Eua , o cientista Thomas Hunt Morgan Verificou , entre numerosas mosquinhas de frutos (Drosophila Meganogaster), que era muito comum estas apresentarem olhos vermelhos. Ocasionalmente, surgia uma com olhos brancos. Analisando-a , ele constatava tratar-se sempre de macho. Cruzando os machos de olhos brancos com fêmeas de olhos vermelhos , resultava uma progênie apenas com indivíduos de olhos vermelhos. Mas , quando ele cruzava os indivíduos dessa geração entre si, surgiam novamente moscas de olhos vermelhos e alguns machos de olhos brancos. Nunca apareciam fêmeas de olhos brancos. Essa característica, segundo Morgan , devia estar de alguma forma ligada ao sexo. Era a descoberta da vinculação ao sexo ou sex-linkage. Hoje conhecem-se numerosos caracteres , no homem e nos outros animais , transmitidos por genes situados nos heterocrossomos X. Dois exemplos muito conhecidos na espécie humana são a hemofilia e o daltonismo. Um detalhe importante que você não pode desconhecer: os genes sex-linked (vinculados ao sexo) localizam-se em determinados loci do cromossomo X sem correspondentes no cromossomo X e Y (homólogo dele). Apesar de serem os cromossomos X e Y homólogos entre si, existem loci em um que não têm alelos correspondentes no outro. Os genes sex-linked , por sua própria condição de só se encontrarem no cromossomo X e não no Y , estão sempre em hemizigose nos indivíduos do sexo masculino (em drosófilas e na espécie humana). Você já conhecia as palavras homozigose e heterozigose. Agora, acrescente mais esta: hemizigose. Tanto hemofilia quanto no daltonismo, o gene determinante da anormalidade é recessivo . Assim, a mulher para revelar qualquer desses caracteres tem de ser homozigótica (Xh Xh Xh) ou (Xd XD), pois se for heterozigótica (Xh Xh) ou (Xd Xd) será clinicamente normal, ainda que portadora do gene da hemofilia ou do daltonismo , respectivamente . Nesse caso, ela poderá transmitir esse gene aos descendentes. Ao homem , sendo de constituição XY, basta ter no seu cromossomo X(único) o gene para uma dessas anormalidades que fatalmente a revelará. Apesar de recessivo , o gene, em homozigose (sem o dominante para inibi-lo), se manifesta . Logo, há muitos mais homens com essas anormalidades vinculadas ao sexo do que mulheres. Daí, a vinculação. A frequência do daltonismo nas diferentes populações humanas é de cerca de 6% para os homens e de 0,25% para as mulheres. Já quanto à hemofilia , um em cada 10000 homens é hemofílico. A frequência do Xh é de 1/ 10.000. Como a mulher , para ser hemofílica , precisa ser homozigótica ( a probabilidade de de ocorrer duas vezes Xh numa pessoa é dada pelo produto das probabilidades isoladas), a frequência de hemofilia nas mulheres é da ordem de: 1/100,000,000 --> Embora praticamente não se encontrem mulheres hemofílicas , pelo exposto acima , elas , contudo, podem ser portadoras do gene em heterozigose e , por isso , responsáveis diretas pelo aparecimento de novos hemofílicos . Um exemplo disto é a célebre e nobre linhagem da rainha Vitória da Inglaterra.
A Reprodução Dos Seres Vivos
Até a metade do século passado, era comum a crença de que os seres vivos pudessem originar-se a partir da matéria bruta, inanimada , existente no meio. Nisso se baseava a antiga concepção da geração espontânea. Os conhecimentos modernos de Biologia vieram mostrar que , nas condições atuais do mundo, todo ser vivo provém de outro ser vivo , por um processo mais simples ou mais complicado de reprodução, mas nunca por geração espontânea. A reprodução é um fenômeno presente em todos os tipos de seres , sejam eles animais, plantas , bactérias ou vírus. Nem sempre a reprodução exige a participação conjunta de dois indivíduos de sexos diferentes. Nós veremos casos em que um indivíduo isolado (uma fêmea) pode ter crias. Também veremos que, para haver reprodução , mas nunca por geração espontânea. A reprodução é um fenômeno presente em todos os tipos de seres , sejam eles animais , plantas , bactérias ou vírus. Nem sempre a reprodução exige a participação conjunta de dois indivíduos isolado (uma fêmea) pode ter crias. Também veremos que, para haver reprodução sexuada entre um macho e uma fêmea , não há necessariamente a obrigação de haver um ato sexual ou cópula. As plantas reproduzem-se sexuadamente e, entre elas , não há nenhuma realização de coito. Os anfíbios , como os sapos , realizam um encontro que não passa de um aparente ato sexual, pois , na realidade , espermatozoides e óvulos são lançados na água. E nela ocorre a fecundação. Existem ainda, outros e seres que requer produzem espermatozoides ou óvulos. Eles não se reproduzem a partir de células especializadas para a reprodução , mas graças à simples fragmentação dos seus corpos. Estes seres nem precisam de órgãos sexuais, como é o caso da ameba. Já com mais complexidade , existem seres que possuem num único corpo os órgãos reprodutores de ambos ou sexos. Eles são chamados hermafroditas. E muitos deles podem fecundar-se a si mesmos (autofecundação) , originando descendentes. É o que ocorre , por ocorre, por exemplo , com as tênias ou solitárias. Como você vê , o fenômeno da reprodução é muito variável nas suas formas de ocorrência. Muitas vezes , você vai observar que um mesmo grupo de organismos pode realizar diferentes modalidades de reprodução , conforme circunstâncias especiais do ambiente ou da sua própria condição interna. O fenômeno da reprodução abre caminho para comentários sem fim . Alguns deles são capazes de nos levar a conjecturas muito atraentes . Veja , por exemplo, que numa simples ejaculação de um homem normal, são eliminados de 200 milhões a 300 milhões de espermatozoides. Se cada uma dessas células pudesse originar uma nova criatura , um homem estaria apto a povoar toda a América do Sul com um única ejaculação. E, durante toda a sua vida , ele poderia povoar grande parte de uma galáxia. No entanto , cada homem , no mundo moderno, não tem mais que alguns poucos descendentes. Admitindo-se que a população humana mundial tenha cerca de três bilhões de pessoas , e que cada uma delas tenha surgido a partir de um espermatozoide , poder-se-ia, então calcular que todos os espermatozoides que originaram a atual população mundial (tendo em vista a pequeníssima dimensão do gameta masculino) caberiam no modesto espaço de uma pílula. Outra conjectura interessante revela que o corpo de um homem adulto tem um peso 50 bilhões de vezes maior do que o peso do pequeno zigoto que o originou . O zigoto , você se lembra , é a primeira célula resultante da união de um espermatozoide com um óvulo. E essa célula se reproduz tantas vezes , que aos poucos , o organismo se diferencia , surge , nasce e cresce. Mas tudo isso acontece dentro de uma incrível programação genética contida inicialmente nos minúsculos núcleos dos gametas. Quase tudo o que acontece na intimidade de um organismo já estava planejado (como uma programação de computador) através de genes muito especiais. Veja bem : se os alimentos são mais ou menos os mesmos para todos os tipos de indivíduos , e os fenômenos nutritivos apresentam impressionante semelhança entre todos os seres , como explicar que, a partir dos mesmos protídios , glicídios , lipídios , sais e vitaminas , cada organismo se desenvolva , formando suas próprias substâncias , tanto no sentido específico quanto individual ? Podemos constatar este fato observando que do mesmo solo e , portanto, das mesmas fontes nutritivas , diferentes plantas formam seus frutos com sabores diversos , como o lião , o jiló , a banana , ou produzem flores das mais variadas formas , dimensões , cores e perfumes. Toda a "programação" de cada organismo está contida no núcleo das suas células , sede dos fatores de ligação entre o indivíduo e a sua descendência. A Reprodução e Genética são dois capítulos indissociáveis da Biologia . Estão sempre de mãos dadas.
As Cidades e a Urbanização Brasileira
Até meados dos anos 1960 a população brasileira era predominantemente rural. Entre as décadas de 1950 e 1980 milhões de pessoas migraram para as regiões metropolitanas e capitais de estados. Esse processo provocou inchaço , segregação espacial e aumento das desigualdades nas grandes cidades, mas também melhoria em vários indicadores sociais , como redução da natalidade e dos índices de mortalidade infantil , além do aumento na expectativa de vida e nas taxas de escolarização. A fundação de Brasília (1960) e a abertura de rodovias integrando a nova capital ao restante do país provocaram significativas alterações nos fluxos migratórios e na urbanização brasileira . As novas possibilidades de ocupação do território das regiões Centro-Oeste e Norte por meio da criação de gado e do cultivo de grãos, entre outras atividades , promoveram a integração de novas regiões agrícolas à dinâmica econômica comandada pelo Sudeste e Sul. Houve crescimento das cidades que já existiam , inauguração de outras , e , consequentemente , reflexos na rede urbana brasileira. Nas regiões Nordeste , Sudeste e Sul também ocorreu a estruturação de novas redes urbanas comandadas por cidades médias que se modernizaram , provocando alteração no destino de muitos migrantes e redução dos movimentos de população em direção às grandes metrópoles. Nesta sintonia, iremos estudas as cidades , a urbanização e a rede urbana do Brasil , o que nos ajudará a esclarecer algumas indagações: o que se considera cidade e população urbana em nosso país? Por que temos índices de urbanização superiores aos do Japão, Itália , França e Alemanha ? Quais as implicações da criação e/ou emancipação de novos municípios? O que é Plano Diretor e qual sua importância para os cidadãos enfrentarem os problemas que existem nos municípios onde moram?
Trocas Culturais
No mundo globalizado em que vivemos , tendo nosso cotidiano invadido por situações e informações provenientes dos mais diversos lugares , é possível afirmar que há uma cultura "pura"? Até que ponto chegou o processo de mundialização da cultura? Em seu livro "Culturas Híbridas" , o pensador argentino Néstor García Canclini analisa essas questões. Lançando um olhar sobre a história , ele declara que , até o século XIX, as relações culturais ocorriam entre os grupos próximos, familiares e vizinhos, com poucos contatos externos. Os padrões culturais resultavam de tradições transmitidas oralmente e por meio de livros, quando alguém os tinha em casa, porque bibliotecas públicas ou mesmo escolares eram raras. Os valores nacionais eram quase uma abstração , pois praticamente não havia a consciência de uma escala tão ampla. Já no século XIX e início do século XX , cresceu a possibilidade de trocas culturais , pois houve um grande desenvolvimento dos meios de transporte , do sistema de correios , da telefonia , do rádio e do cinema . As pessoas passaram a ter contato com situações e culturas diferentes. As trocas culturais efetivadas a partir de então ampliaram as referências para avaliar o passado, o presente e o futuro. O mundo não era mais apenas um local em que um grupo vivia. Tornou-se muito mais amplo, assim com as possibilidades culturais. A cultura nacional passou a ter determinada constituição e os valores e bens culturais de vários povos ou países cruzaram-se , com a consequente ampliação das influências recíprocas. No decorrer do século XX , com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação, o cinema , a televisão e a internet tornaram-se instrumentos de trocas culturais intensas , e os contatos individuais e sociais passaram a ter não um , mas múltiplos pontos de origem. Desde então as trocas culturais são feitas em tal quantidade que não se sabe mais a origem delas. Elementos de culturas antes pouco conhecidas aparecem com força em muitos lugares, ao mesmo tempo. As expressões culturais dos países centrais, como os Estados Unidos e algumas nações da Europa , proliferam em todo o mundo. As culturas de países distantes ou próximos se mesclam a essas expressões , construindo culturas híbridas que não podem ser mais caracterizadas como de um país , mas como parte de uma imensa cultura mundial. Isso não significa que as expressões representativas de grupos , regiões ou até de nações tenham desaparecido. Elas continuam presentes e ativas , mas coexistem com essas culturas híbridas que atingem o cotidiano das pessoas por meios diversos , como a música , a pintura , o cinema e a literatura , normalmente fomentadas pela concentração crescente dos meios de comunicação. Alguém poderia perguntar: Por que essas formas particulares , grupais, regionais ou nacionais deveriam existir no universo cultural mundial, já que vivemos num mundo globalizado? Em seu livro "Artes Sob Pressão : Promovendo a Diversidade Cultural na Era da Globalização" , o sociólogo holandês Joost Smiers responde que assim haveria a possibilidade de uma diversidade cultural ainda maior e mais significativa; haveria uma democracia cultural de fato à disposição de todos. Em suas palavras : "A questão central é a dominação cultural, e isso precisa ser discutido com propostas alternativas para preservar e promover a diversidade no mundo".
Revoluções Clássicas (Revolução Inglesa / Revolução Americana)
Quando falamos em revolução sempre nos vêm à mente os três grandes movimentos que ocorreram em países da Europa e nos Estados Unidos: As Revoluções Inglesa, Francesa e Americana. Movimento em que parte dos senhores de terras e comerciantes se insurgiram contra o poder absoluto do rei e de seus associados (principalmente a nobreza e o clero, que nada produziam). Iniciado em 1642 , tinha como objetivo limitar e condicionar esse poder a determinar funções , impedindo o controle do comércio e da indústria e a criação de impostos pelo rei sem autorização do Parlamento. Após prolongado conflito civil , as forças políticas que lutavam contra o absolutismo derrubaram a monarquia em 1649 e proclamaram a República. Esse movimento tornou possível a eliminação dos últimos laços que prendiam os ingleses a uma sociedade feudal. A monarquia foi restaurada em 1660, mas rei e os nobres perderam os poderes anteriores. O Parlamento havia adquirido força política e dividia o poder com a monarquia . Era o grande passo para que o mercantilismo se expandisse e como consequência o processo de industrialização, que aconteceria no século seguinte. O fundamental nesse processo foi a implantação de uma série de direitos que hoje são considerados universais. Mas foi um movimento em um único país e alterou substancialmente a situação apenas em uma sociedade. Só posteriormente teve repercussão maior. Transcorreu em 1776, caracterizando-se como luta contra o colonialismo inglês em que não havia a intenção de alterar profundamente as relações sociais, nem de transformar a propriedade , nem tampouco de abolir a escravidão. Foi considerada uma revolução orque teve grande repercussão , principalmente nos países da América Latina , e seu ideário pregava a liberdade, ou seja, o rompimento dos laços coloniais.
Fome e Coronelismo
A partir da década de 1940 a questão das desigualdades sociais aparecia sob novo olhar , que passava ainda pela presença do latifúndio , da monocultura e também do subdesenvolvimento. Em seus livros Geografia da Fome e Geopolítica da Fome , publicados respectivamente em 1946 e 1951, Josué de Castro procurou analisar a questão de desnutrição e da fome das classes populares , explicando-as com base no processo de subdesenvolvimento , o qual gerava desigualdades econômicas e sociais entre os povos que, no passado, tinham sido alvo de exploração colonial no mundo capitalista. Defendia a educação e a reforma agrária como elementos essenciais para resolver o problema da fome no Brasil. Outro autor, Victor Nunes Leal, em seu livro Coronelismo , Enxada e Voto: O Município E O Regime Representativo no Brasil, publicado em 1948 , apresentava o coronel vinculado à grande propriedade rural , principalmente no Nordeste , como a base de sustentação de uma estrutura agrária que mantinha os trabalhadores rurais em uma situação de penúria , de abandono e de ausência de educação. A relação entre as desigualdades e as questões raciais voltou a ser analisada na década de 1950 , numa perspectiva que envolvia a situação dos negros na estrutura social brasileira. São exemplos os trabalhos de Luiz Aguiar Costa Pinto, que em 1953 publicou. O Negro No Rio de Janeiro, e de Roger Bastide e Florestan Fernandes , que também em 1953 lançaram o livro Negros e Brancos em São Paulo . Eles abordaram essa questão do ponto de vista das desigualdades sociais, procurando desmontar o mito da democracia racial brasileira , e colocaram o tema da raça no contexto das classes sociais. Na década de 1960, alguns trabalhos podem ser tomados como exemplos da continuidade dessa discussão. Florestan Fernandes ( A Integração do Negro na Sociedade de Classes) , Octávio Ianni (Metamorfose do Escravo) e Fernando Henrique Cardoso (Capitalismo e Escravidão No Brasil Meridional) analisaram a situação dos negros no Sudeste e Sul do Brasil. Com seus trabalhos , demonstraram que os ex-escravos foram integrados de forma precária , criando-se uma desigualdade constitutiva da situação que seus descendentes vivem até hoje. Muitos outros autores , desde então, analisam essa questão , que continua presente no nosso cotidiano.
Cooperação Nas Sociedades De Mamíferos
Entre os mamíferos , há várias sociedades com grande grau de união e de cooperação . Alguns animais soltam um grito de alarme quando veem um predador aproximar-se do grupo. Por exemplo, os macacos babuínos do Quênia emitem três tipos de grito: um para leopardos ; outro para serpentes ; e um para águias. Cada grito produz uma reação diferente. Quando ouvem o grito para leopardos, eles sobem nas árvores. Se o aviso é sobre águias, imediatamente olham para o céu e correm para se esconder. Quando se refere a serpentes , erguem-se sobre as patas traseiras e observam com cuidado o mato ao redor. É frequente os animais de determinada sociedade dividirem alimento entre si. Os morcegos vampiros que não conseguem comida quase sempre encontram outro morcego vampiro que lhes doa sangue por meio da regurgitação: o animal lança pela boca um pouco do alimento que ainda estava em seu estômago. Para o morcego, essa ajuda é fundamental , pois ele morrerá se não conseguir alimento por duas noites seguidas. A espécie humana vive em sociedades. Podemos supor que a cooperação na sociedade tenha sido importante para a sobrevivência dos ancestrais humanos nas savanas africanas , uma vez que, individualmente , não eram tão hábeis e fortes como os carnívoros que caçam nas savanas. Além disso, o desenvolvimento do cérebro confere ao ser humano grande capacidade de suas ações. Com isso , pode estimular de forma consciente a cooperação entre os indivíduos, mostrando os seus benefícios.
Canibalismo
Algumas vezes um animal mata e devora outro da mesma espécie, fenômeno denominado canibalismo. Entre alguns insetos, os animais mais fracos ou doentes são devorados pelos sadios. Algumas aranhas fêmeas devoram o macho após o ato sexual. Na falta da presa costumeira , alguns peixes predadores , alguns peixes predadores podem comer os indivíduos mais jovens. Às vezes , os machos de alguns primatas e os leões matam e comem os filhotes que não são deles; por exemplo, um novo leão pode matar os filhotes de menos de um ano que as fêmeas tiveram com o leão anterior. Quando isso acontece , a fêmea entra no período fértil mais cedo. O canibalismo ocorre também em populações de anfíbios que se desenvolvem em poças de água de curta duração, caso em que é importante completar a metamorfose antes que a poça seque. O resultado é que os animais que amadurecem mais rápido devoram os mais jovens , conseguindo comida para acelerar seu desenvolvimento. A aranha popularmente conhecida como viúva-negra , logo após o acasalamento , devora o macho , e , quando há falta de alimento, ratos podem comer seus próprios filhotes. Em 2006, no Alasca , pesquisadores observaram um caso inédito de canibalismo: um grupo de ursos-polares machos matou e devorou duas fêmeas , um filhote e um macho jovem. Os ursos-polares alimentam-se principalmente de focas , e os pesquisadores acham que o aquecimento global , que fez diminuir em 20% a calota polar ártica nos últimos trinta anos, reduziu o território de caça desses animais. A falta de alimento teria provocado o canibalismo. Segundo algumas previsões, esses ursos podem estar extintos em vinte anos.
Entre 1822 e 1889
Da independência à República , havia no país um Estado imperial constitucional com os poderes Executivo (Conselho de Estado), Legislativo (Assembléia Geral, composta do Senado e da Câmara dos Deputados) e Judiciário (Supremo Tribunal de Justiça). No entanto, havia algo diferente no Brasil de Dom Pedro I: o poder Moderador , Exercido pelo Imperador. O poder Moderador , Exercido pelo Imperador. O poder moderador ficava acima dos outros três , pois o imperador nomeava os integrantes do Conselho de Estado (O Executivo) e do Senado , escolhia os membros do Supremo Tribunal , podia dissolver a Câmara dos Deputados e utilizar as Forças Armadas quando achasse conveniente para manter a segurança do Império. Dom Pedro tinha o poder absoluto com uma maquiagem liberal , já que havia uma constituição no país. Parecia que existia um parlamentarismo , mas de fato, quem exercia o poder era o imperador. Depois da abdicação de Dom Pedro I , com as Regências e o governo de Dom Pedro II, a estrutura política do Brasil manteve-se igual. Talvez o Brasil tenha sido o único país do mundo em que uma constituição liberal coexistiu com a escravidão. Isso é uma grande contradição , pois a constituição liberal dispõe que todos os indivíduos são iguais perante a lei, e que a escravidão é a negação disso. A permanência dessa contradição se explica pelo fato de a escravidão ser um dos elementos estruturais do Império. Ela foi abolida , em 1888 , e a monarquia caiu em seguida.
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