O Cloreto De Sódio E A Osmose


Qual deve ser a concentração adequada de soluto no soro que é administrado em pacientes Por que o sal ajuda a conservar a carne seca? De que modo pode-se obter água pura a partir do mar empregando o conceito de osmose? As respostas a essas perguntas - ligadas à saúde , à alimentação e à substância do ser humano - relacionam-se ao conceito de osmose.
O sangue é formado por elementos celulares (glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas) e por uma solução aquosa de vários componentes, que é o soro sanguíneo . O soro sanguíneo apresenta uma pressão osmótica bem definida , que é a mesma pressão osmótica do líquido presente no interior das células sanguíneas. Um glóbulo vermelho , por exemplo , se for colocado em uma solução de pressão osmótica  maior que lele, denominado meio hipertônico , perderá água por osmose e murchará. Se for colocado em um meio com pressão osmótica menor , um meio hipotônico , ganhará água por osmose e inchará até estourar. Só em um meio com uma pressão osmótica igual àquela de seu interior, um meio isotônico , um glóbulo vermelho não corre o risco de murchar ou de estourar. Assim, ao administrar na circulação de um paciente grandes volumes de líquido, é necessário que esse líquido apresente a mesma pressão osmótica do plasma sanguíneo . O soro glicosado é uma solução aquosa 5% em massa de glicose, que é uma solução isotônica ao sangue. Não oferece , portanto , risco às células sanguíneas. O soro fisiológico é uma solução aquosa de NaCI a 0.9% e também apresenta a mesma pressão osmótica do sangue. Seu uso consiste numa maneira de hidratar o paciente (repor água que foi perdida), sem risco de afetar as células sanguíneas. Na conservação da carne pela salga, produzindo a carne-seca (jabá, charque , carne-de-sol), o cloreto de sódio retira a água da carne , por osmose. também retira água de microrganismos eventualmente presentes, impedindo seu crescimento e sua atividade . Assim, a carne é preservada por mais tempo. A salga do pescado (por exemplo , bacalhau seco) baseia-se no mesmo princípio. A pressão osmótica da água do mar é da ordem de 27 atm. Essa é a pressão que deve ser aplicada a água do mar - separada da água pura por uma membrana que deixe passar apenas o solvente - para impedir que ocorra  a osmose. Se a pressão exercida for superior a 27 atm, o fluxo osmótico é invertido , e água pura pode ser obtida por osmose reversa. Em algumas regiões desérticas já existem usinas nas quais água pura é obtida a partir da água do mar por meio do osmose reversa. A principal dificuldade envolvida nessa tecnologia diz respeito ao material da membrana semipermeável , já que ele deve resistir a altas pressões sem se romper. A ideia da osmose reversa também é usada para a fabricação de equipamento de sobrevivência para náufragos , permitindo que obtenham água pura a partir da água do mar. Para um náufrago sem água há muitos dias , a ideia de beber água do mar é uma tentação fatal. A água do mar não apresenta apenas cloreto de sódio , mas vários outros solutos , entre os quais sais de magnésio . Embora nosso intestino apresente mecanismo que permitam a absorção dos íons presentes nas comidas e nas bebidas , os íons magnésio (Mg²+) não são absorvidos com muita eficiência. Ao ingerir a água do mar, a concentração de íons magnésio dentro do intestino aumenta  muito e, por osmose , água passa da circulação sanguínea para o interior do intestino , provocando diarreia . Assim, o náufrago não só deixa de saciar a sede , como também desidratar-se fatalmente por causa da diarreia. (Isso que acabamos de falar sobre os íons magnésio também explica por que existem laxantes baseados no hidróxido de magnésio - o leite de magnésia - e no sulfato de magnésio - o sol amargo ou sal de Epsom.) . Equipamentos portáteis baseados na osmose reversa permitem que um náufrago aplique pressão por meio de uma bomba manual , gerando pressão suficiente para produzir cerca de 4,5 L de água pura em cerca de uma hora., Já foi relatado o caso de um casal de náufragos que permaneceu 66 dias no mar alimentando-se de peixe e obtendo água por meio de kits de sobrevivência baseados na osmose reversa.


Sabe Com Quem Está Falando?



"Pelo reconhecimento social extensivo e intensivo em todas as camadas , classes e segmentos sociais, em jornais, livros , histórias populares , anedotário e revistas , a forma de interação balizada pelo 'sabe com quem está falando'? Parece estar mesmo implantada - ao lado do carnaval , do jogo do bicho, do futebol e da malandragem - no nosso coração cultural. [...] Outro traço do 'sabe com quem está falando?' é que a expressão remete a uma vertente indesejável da cultura brasileira. Pois o rito autoritário indica sempre uma situação conflitiva , e a sociedade dependente, colonial e periférica, a nossa tem um alto nível de conflitos e de crises . Mas  entre a existência da crise e o seu reconhecimento existe um vasto caminho a ser percorrido. Há formações sociais que logo buscam enfrentar as crises , tomando-as como parte intrínseca de sua vida política e social, enquanto , em outras ordens sociais , a crise e o conflito não inadmissíveis. Numa sociedade a crise indica algo a ser corrigido; noutra , representa o fim de uma era , sendo sinal de catástrofe . Tudo indica que, no Brasil , concebemos os conflitos como presságios do fim do mundo , e como fraquezas - o que torna difícil admití-los como parte de nossa história , sobretudo nas suas versões oficiais e necessariamente solidárias. [...] Ora , o que o estudo do 'sabe com quem está falando?' permite realizar é a descoberta de uma espécie de paradoxo numa sociedade voltada para tudo o que é universal e cordial , a descoberta do particular e do hierarquizado. E essa descoberta se dá em condições peculiares: há uma regra que nega e reprime o seu uso. Mas há uma prática igualmente geral que estimula seu emprego. [...] Assim, o carnaval é gritado e o 'sabe com quem está falando?' , escondido. Um é assunto de livros e de filmes ; O outro, de eventuais artigos antropológicos , não sendo posto no rol das coisas sérias e agradáveis , como o futebol , o jogo do bicho e a cachaça. [...] Mas, para tornar a situação complicada , havia muitos casos em que o 'sabe com quem está falando?' tinha sido usado por um inferior (ou subalterno) contra outra pessoa qualquer , como identificação social vertical mediatizando o uso da fórmula , isto é , com o subordinado tomando a projeção social do seu chefe, patrão ou empregador , como uma capa de sua própria posição. Desse modo, são fartos os exemplos do empregado usando o ritual de afastamento do seguinte modo 'sabe com quem está falando?' Eu sou o motorista do Ministro!' (ou do General Fulano de Tal! Ou do Chefe do SNI!). Um caso colhido por um dos meus colaboradores e narrado pelo próprio empregado (uma doméstica) é um excelente exemplo dessas reações verticais intensas , em que existe a projeção de posição social: 'Eu tomava conta de uma fazenda de um coronel e seus subordinados gozavam da casa. Um, por causa de uma mudança de quarto , resolveu perguntar se eu sabia com quem estava falando. Mas , quando chegou o coronel, eu perguntei a ele quem mandava na casa e ele disse que era eu e o 'com quem tá falando pedir desculpas'. O poder de tais usos e a nossa familiaridade com essa forma de identificação social revelam seu impacto e a sua frequência no cenário brasileiro. [...] quanto mais alta sua posição , mais impacto ganha o uso do 'sabe com quem está falando?' pelos seus inferiores , pois o fenômeno relevante é o da projeção da posição social para mais de um indivíduo , revelando como em certas formações sociais uma determinada posição social pode recobrir mais que um indivíduo , tendendo a ser tomada como uma verdadeira instituição.[...]"

-DAMATA , Roberto. Carnavais , malandros e heróis . Rio de Janeiro, Rocio , 1994. P. 182-191. 


O Que As Mitocôndrias Podem Informar Sobre A Evolução Humana?


Na década de 1980 , a análise de dados genéticos passou a fazer parte das investigações científicas a respeito da origem dos humanos modernos. Uma ferramenta importante é a análise do DNA mitocondrial. Como vimos anteriormente , nem todo o material genético de uma célula encontra-se no núcleo. Nos seres humanos, além do genoma contido nos 23 pares de cromossomos, existe o DNA mitocondrial , que é circular e contém 37 genes , cada mitocôndria contém diversas cópias dessa molécula. A herança do DnA mitocondrial difere dos padrões de herança do DNA nuclear , pois as organelas citoplasmáticas de um zigoto - incluindo as mitocôndrias - vêm apenas do gameta feminino. Os espermatozoides contribuem na formação do zigoto apenas com o centríolo e o conjunto haploide de cromossomos nucleares provenientes do pai. Apesar de mitocôndrias do espermatozoide entrarem no ovócito no momento da fecundação, elas logo degeneram. A herança do citoplasma, portanto, é transmitida basicamente pela mãe para a descendência. O DNA mitocondrial tornou-se uma ferramenta útil para interpretar eventos evolutivos recentes por dois motivos básicos:

-Ele apresenta uma taxa de mutação elevada; as mutações são a fonte primária de variedade entre as moléculas. A comparação entre moléculas homólogas pode informar o tempo de divergência entre elas a partir de uma condição ancestral ; quanto maior o número de diferenças , maior o intervalo de tempo. No DNA nuclear , com uma quantidade de nucleotídeos muito maior e uma taxa de mutação menor , essas diferenças são mais difíceis de ser analisadas; -Não há recombinação entre genes maternos e paternos no DNA mitocondrial , pois a mitocôndria é herdada apenas da mãe. Isso facilita a interpretação dos dados , pois a variabilidade no DNA mitocondrial de uma população pode ser considerada como resultado do acúmulo de mutações gênicas, e não de recombinação. A análise de DNA mitocondrial em populações humanas revelou que a variação nesse DNA em humanos atuais é muito pequena. Uma explicação para este fato é que os seres humanos originaram-se recentemente na escala do tempo geológico, o que é corroborado pelo registro fóssil. Outra observação importante foi que os africanos apresentam, dentre as populações humanas atuais , a maior variabilidade no DNA mitocondrial, o que pode indicar que se trata da população mais antiga. Esse dado também sustentaria a hipótese mais aceita atualmente de que os hominídeos surgiram na África.   No entanto , existem outras interpretações possíveis para esses dados moleculares , como a de que a variabilidade do DNA mitocondrial em populações africanas resulte apenas do fato de serem descendentes de populações mais numerosas. Os dados moleculares certamente constituem uma ferramenta importante , mas sua interpretação não é fácil e ainda existem muitas controvérsias no meio científico em relação às hipóteses sobre a origem do Homo sapiens.


Os Sonhos Dos Adolescentes



Ao longo de 30 anos de clínica , encontrei várias gerações de adolescentes ( a maioria, mas não todos, de classe média) e , se tivesse que comparar os jovens de hoje com os de dez ou 20 anos atrás , resumiria assim: eles sonham pequeno. É curioso , pois, pelo exemplo de pais , parente e vizinhos, os jovens de hoje sabem que sua origem não fecha seu destino: sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar onde nasceram , sua profissão não tem que ser a continuação da de seus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária de ficções e informações, eles conhecem uma pluralidade inédita de vidas possíveis. Apesar disso, em regra, os adolescentes e os pré-adolescentes de hoje tem devaneios sobre seu futuro muito parecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia a dia que, para nós, adultos , não é sonho algum , mas o resultado (mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações.  Um exemplo. Todos os jovens sabem que Greenpeace é uma ONG que pratica ações duras e aventurosas em defesa do meio ambiente. Alguns acham muito legal assistir , no noticiário, à intrépida abordagem de um baleeiro por um barco inflável de ativistas. Mas , entre eles , não encontro ninguém (nem de 12 ou 13 anos) que sonhe em ser militante do Greenpeace. Os mais entusiastas se propõem a estudar oceanografia ou veterinária, mas é para ser professor, funcionário ou profissional liberal. Eles são "razoáveis": seu sonho é um ajuste entre suas aspirações heroico-ecológicas e as "necessidades" concretas (segurança do emprego , plano de saúde e aposentadoria). [...] É possível que, por sua própria presença maciça em nossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial e sejam contempladas não como um repertório arrebatador de vidas possíveis , mas como um caleidoscópio para alegrar os olhos , um simples entretenimento. Os heróis percorrem o mundo matando dragões, defendendo causas e encontrando amores solares, mas eles não nos inspiram: eles nos divertem , enquanto, comportadamente , aspiramos a um churrasco [...] com os amigos. É também possível (sem contradizer a hipótese anterior) que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seu raiz. Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem seu futuro depende dos sonhos aos quais nós renunciamos. Pode ser que, quando eles procuram, nas entrelinhas de nossas falas , as aspirações das quais desistimos, eles se deparem apenas com versões melhoradas da mesma vida acomodada que, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época tem os adolescentes que merece.

-Calligaris, Contardo. Os sonhos dos adolescentes. Folha de S. Paulo, 11 Jan. 2007. Ilustrada, p. E10.


A Mudança Social Para Os Clássicos Da Sociologia



Karl Marx- Em seus estudos sobre as transformações sociais, Marx também analisou a Revolução Francesa , mas a considerou puramente política, já que não alterou substancialmente a vida dos que nada tinham. De acordo com ele, apesar de ter sido fundamental para o fim do feudalismo, essa revolução foi parcial , pois , realizada por uma minoria , não emancipou a sociedade toda. Para Max o radicalismo de uma revolução está no fato de ela ser realizada por quem é maioria na sociedade. Só uma classe capaz de representar os interesses de libertação para todos pode liderar uma transformação, pois esta é sempre o resultado dos conflitos entre as classes fundamentais da sociedade. No capitalismo essas classes são a burguesia  e o proletariado.  E só o proletariado pode transformar essa sociedade. Mas por que a teoria marxista atribuía ao proletariado o poder revolucionário? O sociólogo francês Robert Castel esclarece isso no seu livro "As Metamorfoses da Questão Social" : A constituição de uma força de contestação e de transformação social supõe a reunião de pelo menos três condições - uma organização estruturada em torno de uma condição comum, a posse se um projeto alternativo de sociedade, o sentimento de ser indispensável para o funcionamento da máquina social. Se a historia social gravitou durante mais de um século em torno da questão operária , é porque o movimento operários realizava a síntese dessas três condições---> tinha seus militantes e seus aparelhos, era portador de um projeto de futuro , e era o principal produtor da riqueza social na sociedade industrial". Entretanto, para Marx , as transformações não parte do zero. Ela sempre nega e supera uma situação anterior ; os participantes de uma revolução utilizam a cultura e as tecnologias transmitidas pelas gerações anteriores para criar novas formas de organização produtiva e política. As transformações sempre incorporam alguma coisa do passado. A parte do passo que é incorporada e a maneira como isso ocorre muitas vezes condicionam o resultado das mudanças futuras. Há um processo de continuidade e ruptura que depende das forças sociais em conflito. Tais forças definem o que será preservado e o que será abandonado. Marx destacou que na atividade revolucionária os indivíduos se transformam para mudar as condições sociais em que vivem. Observou , ainda , que as revoluções só seriam possíveis por meio da violência , a "parteira da história" , pois os que detinham o poder jamais abririam mão dele e de seus privilégios pacificamente.


Revolução Liberal Na Bélgica


A Bélgica estava unida à Holanda , no Reino dos Países Baixos, mas entre os dois países existiam notáveis diferenças : A Bélgica tinha uma economia que estava rapidamente se industrializando e seguia a religião católica ; a Holanda estava voltada ao protestantismo e sua economia centrava-se na agricultura e no comércio. No dia 25 de agosto de 1830 , um incidente ocorrido num teatro de Bruxelas precipitou os acontecimentos. O povo saiu em tumultos. O exército holandês se movimentou , mas não conseguiu conter os ânimos dos revoltosos os holandeses acabaram por se retirar e os belgas proclamaram sua independência . A Santa Aliança (Áustria , Rússia e Prússia) estava pronta a intervir e a condenar a liberdade proclamada pelos belgas. Foi realizada uma conferência internacional , na qual tomaram parte a Áustria , Rússia , a Prússia , a França e a Inglaterra. A França e a Inglaterra se colocaram ao lado dos belgas. Assim, em 1831, subia ao governo da Bélgica o príncipe Leopoldo , na condição de primeiro monarca constitucional belga. Aparentemente um reino autônomo , sob a soberania do Czar Nicolau I ( Da Rússia), a Polônia , na realidade, sofria um regime tirânico e com uma forte exploração econômica. Era compreensível que as "sociedades secretas" estendessem sua influência sobre o exército e entre os intelectuais. Em novembro de 1830 , estudantes e cadetes da Escola Militar de Varsóvia se levantaram aos gritos de "Viva a Liberdade". A Insurreição colhei de surpresa os russos e a própria nobreza polaca , que tentou dar ao movimento um caráter moderado. O destino dessa revolta dependia , em grande parte, da decisão do novo Parlamento polaco ( a Dieta) , que concedeu terras aos camponeses , que há anos desejavam possuí-las. A revolução tinha o apoio decisivo dos trabalhadores do campo. Mas a Dieta abandonou todos os planos propositadamente. O Czar envia 130.000 homens contra os revoltosos ; o exército polaco conta apenas com a metade . Por sete meses, lutaram contra os invasores. Em setembro de 1831, Varsóvia , a brava cidade , capitula. Contudo, a total independência da Polônia só aconteceu em 1855.


Prefácio da História


Leôncio Basbaum , em sua excelente "História Sincera da República" , diz que : "O objetivo da história não é apenas o de narrar e constatar fatos do passado , mas buscar as suas origens e as suas consequências. Quando nos propomos estudar a História de um país ou de um povo , ou simplesmente um determinado episódio histórico, não nos deve mover somente um interesse anedótico ou mera curiosidade. Também a História não se pode resumir a "uma exaltação de heróis para incentivo da juventude",  ou mera recordação de 'nossas glórias passadas'. O que queremos da História é muito mais do que isso. Ela não se pode limitar a uma simples enumeração cronológica dos fatos , mas deve buscar as relações entre eles , aprofundar , descer às duas raízes , até encontrar as causas desses fatos." O estudo crítico da História auxilia o jovem  a chegar à sua  primeira maturidade , que é perceber-se como ser social e histórico , que depende de um passado para compreender e integrar-se na realidade do mundo em que vive. Para favorecer esse senso de maturidade individual e grupal, este livro dá condições de analisar e refletir sobre a presença do ser humano envolvido em problemas e realizações durante a Idade Moderna e a Contemporânea. Da maturidade vai nascer a responsabilidade e o  compromisso com o mundo contemporâneo e, em especial , com o seu país , do qual o jovem é um dos construtores da História. O estudo da História constitui um convite para refletir sobre alguns valores que sempre acompanham a sociedade e são as bases da sua estrutura . Como o trabalho , a solidariedade, as ideias e realizações científicas , a paz e a colaboração internacional , a tolerância política , ideológica e religiosa , a liberdade , a justiça e a ordem social. Assim, o jovem , sob a liderança do professor , pode chegar a perceber a dimensão temporal dos fenômenos históricos , e neles achar o seu lugar e realizar a sua parte na caminhada da humanidade , marcada pela busca constante de mudanças. Analisando essa caminhada até o presente , os jovens irão reconhecer , no passado , uma grande herança e irão ver o presente como a responsabilidade de conservar e o direito de usufruir os valores recebidos e a necessidade de continuar construindo juntos.

-Antônio de Siqueira e Silva - 


Karl Marx , Os Indivíduos E As Classes Sociais


Para o alemão Karl Marx (1818-1883) , os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto de suas condições e situações sociais, já que produzem sua existência em grupo. O homem primitivo , segundo ele, diferenciava-se dos outros animais não apenas pelas características biológicas , mas também por aquilo que realizava no espaço e na época em que vivia. Caçando , defendendo-se e criando instrumentos , os indivíduos construíram sua história e sua existência no grupo social. Ainda segundo Marx , a ideia de indivíduo isolado só apareceu efetivamente na sociedade de livre concorrência , ou seja, no momento em que as condições históricas criaram os princípios da sociedade capitalista. Tomemos um exemplo simples dessa sociedade. Quando um operário é aceito numa empresa, assina um contrato do qual consta que deve trabalhar tantas horas por dia e por semana e que tem determinados deveres e direitos , além de um salário mensal. Nesse exemplo, existem dois indivíduos se relacionando : o operário, que vende sua força de trabalho, e o empresário , que compra essa força de trabalho. Aparentemente se trata de um contrato de compra e venda entre iguais. Mas só aparentemente , pois o "vendedor" não escolhe nem como vai trabalhar. As condições já estão impostas pelo empresário e pelo meio social. Essa relação entre dois , no entanto, não é apenas entre indivíduos , mas também entre classes sociais : a operária e a burguesa. Eles só se relacionam, nesse caso, por causa do trabalho: o empresário precisa da força de trabalho do operário e este precisa de salário. As condições que permitem esse relacionamento são definidas pela luta que se estabelece entre as classes , com a intervenção do Estado, por meio das leis, dos tribunais ou da polícia. Essa luta vem se desenvolvendo há mais de duzentos anos em muitos países e nas mais diversas situações , pois empresários e trabalhadores têm interesses opostos. O Estado aparece aí para tentar reduzir o conflito , criando leis que, segundo Marx , normalmente são a favor dos capitalistas. O foco da teoria de Marx está , assim, nas classes sociais, embora a questão do indivíduo também esteja presente. Isso fica claro quando Marx afirma que os seres humanos constroem sua história , mas não da maneira que querem, pois existem situações anteriores que condicionam o modo como ocorre a construção. Para ele , existem condicionantes estruturais que levam o indivíduo, os grupos e as classes para determinados caminhos; mas todos têm capacidade de reagir a esses condicionamentos e até mesmo de transformá-los. Marx se interessou por estudar as condições de existência de homens reais na sociedade. O ponto central da sua análise está nas relações estabelecidas em determinada classe e entre as diversas classes que compõem a sociedade. Para ele, só é possível entender as relações dos indivíduos com base nos antagonismos , nas contradições e na complementaridade entre as classes sociais.


Santo Agostinho E A Alimentação


Enquanto o Império Romano desmoronava diante dos bárbaros, Santo Agostinho , um convertido à fé cristã, condenando entre outras a gula, um dos pecados capitais segundo o cristianismo , escrevia:

"Sustento uma guerra cotidiana com jejuns , reduzindo o corpo à escravidão . Ma depois disto vem o prazer para afastar as minhas dores. Efetivamente, se o remédio dos alimentos não nos socorrer , a fome e a sede tornam-se tormentos que abrasam e matam como a febre. Ora, estando este remédio sempre ao nosso alcance , graças à liberalidade dos vossos dons, que faz com que a terra, a água e o céu sirvam à nossa enfermidade, chamamos delícias a tal desgraça. Ensinastes-me a tomar os alimentos , só como remédio. [...]  Sendo a saúde o motivo do comer e beber , o prazer junta-se a esta necessidade , como um companheiro perigoso. Ordinariamente procura ir adiante, para que se faça  por ele o  que, segundo vou dizendo , faço ou quero fazer por causa da saúde. Ora , o limite não é o mesmo para ambos s casos, pois o que basta à saúde é insuficiente para o prazer. Muitas vezes não se vê bem ao certo   se é o cuidado necessário do corpo que pede esse esforço do alimento ; ou se é a voluptuosa e enganadora sensualidade que exige ser servida. [...] Esforço-me todos os dias por resistir a estas tentações , invocando , em meu auxílio , a vossa destra , e submetendo-Vos [a deus] as minhas incertezas , porque matéria ainda não está firme o meu parecer. [...] Arrancai-me de toda tentação. Não receio a impureza do alimento, mas temo a imundície do prazer."

Santo Agostinho, Confissões, São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 288. Col. Os pensadores.


A Revolução Chinesa



O império chinês já havia mostrado sua debilidade na Guerra do Ópio (contra a Inglaterra) , apesar de manter uma aparência independente. Durante o século XX, ingleses e japoneses continuaram a explorar duramente o povo chinês. A elite dirigente , fraca para combater as grandes potências , preferiu aliar-se a elas , abandonando o povo à sua própria sorte. Diante dessa situação, cresceu na China grande oposição ao governo imperial, que culminou com a proclamação da República por Sun Yat-Sen (fevereiro de 1912). Porém, o governo republicano não conseguiu atenuar a crise pela qual o país passava , nem conseguiu livrá-lo das influências externas. A miséria, a fome e o banditismo eram os principais problemas da China. Com uma das maiores populações do globo , não conseguia dar condições de subsistência ao povo. Foi nesse quadro que apareceu Mao-Tsé-Tung , que abandonou e contestou o modelo soviético e seu esquema socialista de governo. A organização chinesa foi essencialmente agrária , ao contrário da Rússia , onde foi implantado o novo regime a partir dos sovietes. Apoiados pelos camponeses ( a maioria da população), Mao Tsé-Tung , baseado no modelo econômico agrário e na manutenção do PCC (Partido Comunista Chinês) e do EPL (Exército Popular de Libertação), iniciou a luta. A luta foi demorada e se deu em duas frentes: ao mesmo tempo que combatiam as potências imperialistas (principalmente o Japão) , conspiravam a derrubada dos membros da República , corrompidos pelos simpatizantes dos regimes ocidentais capitalistas (governo de Chiang Kai-Shek). Em 1¤ de outubro de 1949 , foi oficialmente proclamada a República Popular da China , após 22 anos de lutas e perseguições. A proclamação da República chinesa representou uma grande vitória para a Rússia , que via suas idéias implantadas num vasto império e território. Os americanos apoiaram a retirada do presidente Chiang Kai-Shek, e ele foi para Formosa , que se tornou a único território chinês democrático capitalistas. Mais tarde , as diferenças entre o modelo soviético (que deu impulso à grandes indústrias, colocando a URSS como potência e que privilegiou as massas) e o modelo chinês (com incentivo agrícola e desenvolvido para atender primeiramente à necessidade de alimentos), aliadas às disputas por causa de fronteiras , provocaram o rompimento da China com a União Soviética. A partir de 1976, a China tem se aproximado cada vez mais do Ocidente , tentando conciliar o comunismo com o espírito de iniciativa dos centros capitalistas , incorporando valores ocidentais. Com a morte de Mao Tsé-Tung em 1976 , assumiu o poder Deng Xiaoping , que implantou uma política reformista. Em 1979 a China reatou relações diplomáticas com os Estamos Unidos. O sistema comunista tradicional foi cedendo lugar a um Partido Comunista menos tradicional, no qual há um grande incentivo ao desenvolvimento econômico : o governo é apoiado pelas forças militares; há privatização de propriedades; a produção é estimulada pela concorrência salarial com o apoio de capital internacional (de procedência norte-americana e japonesa). O objetivo imediato da China passou a ser produção e não mais lutas de classe (kaifang = política de abertura). Em 9 de abril de 1988 assumiu o poder o primeiro-ministro Li Peng , pertencente ao grupo dos tecnocratas mais rígidos e defensores de mudanças mais cautelosas para a abertura do regime comunista. Os patriarcas do regime , na maioria com mais de 60 anos, enxergam a democratização como uma ameaça de desestabilização do país , porque o povo não está preparado para votar e , além do mais, aproximadamente um milhão de chineses têm nenhuma cultura. Estudantes com idéias liberais têm procurado fazer frente ao regime , mas a resposta por parte das autoridades tem sido violenta , como no episódio da Praça da Paz Celestial, quando os tanques e as forças militares massacraram grande número de estudantes. No ano de 1990, o governo começou uma forte campanha publicitária em torno da normatização interna da China. Os acontecimentos do Leste Europeu começaram  a modificar  a face do comunismo no mundo. Entretanto , o governo da China procura um equilíbrio interno, mas continua firme na posição ativa da consciência comunista , incitando as pessoas (por meio de campanhas publicitárias) a voltarem a se chamar de camaradas. De modo geral , há por parte das autoridades uma forte resistência para aceitar os valores importados do Ocidentes , como costumes , cultura e , principalmente , idéias democráticas. O próprio partido DC está dividido em duas alas: a linha dura, conservadora , e a ala liberal , propensa a aceitar mudanças.


O Desemprego


Depois das grandes transformações pelas quais o Brasil passou nos últimos trinta anos, a questão do desemprego continua sendo um dos grandes problemas nacionais. Na agricultura houve a expansão da mecanização em todas as faces - preparo da terra , plantio e colheita-, ocasionando a expulsão de milhares de pessoas , que tomaram o rumo das cidades. Na indústria , a crescente automação das linhas de produção também colocou milhares de pessoas na rua. Para ter uma ideia do que aconteceu nesse setor , basta dizer que, na década de 1980 , para produzir 1,5 milhão de veículos , as montadoras empregavam 140 operários. Hoje , para produzir 3 milhões de veículos , as montadoras empregam apenas 90 mil trabalhadores. Nos serviços , principalmente no setor financeiro , a automação dos setores produtivos e de serviços conseguiu aumentar a riqueza nacional, não provocou o aumento da quantidade de empregos- ao contrário , a modernização tem aumentado o desemprego. Esse quadro só poderá ser mudado com mais desenvolvimento econômico, afirmam alguns, outros dizem que é impossível resolver o problema na sociedade capitalista, pois , por natureza , no estágio em que se encontra , ela gera o desemprego, e não há como reverter isso na presente estrutura social; há ainda os que consideram o desemprego uma questão de sorte , de relações pessoais, de ganância das empresas , etc.  Todas as explicações podem conter um fundo de verdade , desde que se saiba a perspectiva de quem fala. Entretanto, está faltando uma explicação , que deixará claro que o desemprego não é uma questão individual nem culpa o desempregado. Essa explicação está na política econômica desenvolvida no Brasil há mais de vinte anos, até o início do século XXI. A inexistência de postos de trabalho, além das razões anteriormente apontadas , foi o resultado de uma política monetária de juros altos e, também , de uma política fiscal de redução dos gastos públicos. Nos últimos anos, essa tendência foi alterada com a queda gradativa dos juros e com o aumento dos gastos públicos. Excetuando o final de 2008 e o ano de 2009, devido à repercussão da crise financeira mundial, observa-se que há uma tendência de queda do desemprego no Brasil. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) , divulgada no início de 2009 pelo IBGE , a taxa de desemprego em 2008 ficou em 7,9% contra 9,3% em 2007. É o menor índice da série histórica , iniciada em 2002, que contempla os dados das regiões metropolitanas de Recife , Salvador , Belo Horizonte , Rio de Janeiro , São Paulo e Porto Alegre. A previsão que eles tiveram  para 2010 é que o nível de emprego e o aumento de renda retornarão aos patamares anteriores à crise financeira. Isso só poderá ocorrer com a ampliação da presença do Estado nos mais diversos setores - educação , saúde , segurança , transporte, cultura, esporte , lazer - , além de investimentos maciços em obras públicas (de infraestrutura , principalmente) e habituação e incentivos crescentes a todos os setores industriais , o que envolverá a contratação de milhares de pessoas. Parece que este será o grande desafio para este século: um sistema eficiente de proteção e assistência do trabalhador.


A Índia Hoje



Como na maioria dos países do Terceiro Mundo , o Estado também assumiu na Índia a responsabilidade de promover a industrialização e o desenvolvimento econômico do país, apoiando-se em sua gigantesca máquina burocrática. A abertura do país às importância , ao capital estrangeiro e à introdução da tecnologia e o acesso ao crédito promovem o crescimento da classe média e alguns economistas acreditam que no ano 2000 , quando a população indiana alcançará a cada de um bilhão de habitantes , 300 mil pessoas estarão na categoria de classe média. A discriminação e as disparidades sociais ainda são gritantes , mas os serviços públicos e a educação estão sendo abertos às castas inferiores , sob fortes protestos dos jovens universitários e recém-formados que vêem suas chances de emprego ameaçadas e exigem com protestos que o governo garanta o mercado de emprego. Outro grande conflito armado provocado pela divisão do mundo em zonas de influência (capitalistas e socialistas) foi a Guerra da Coréia. Quando terminou a Segunda Guerra Mundial , a Coréia foi dividida : a parte norte ficou sob influência e a sul ficou ligadas aos EUA. A ONU fiscalizou as eleições que deveriam unificar o país . A Rússia inicialmente não quis se arriscar e perder sua zona de influência , mas depois , com o seu apoio , os norte-coreanos atacaram a Coréia do Sul. Imediatamente , os Estados Unidos , os grandes países do Ocidente e forças da ONU uniram-se para apoiar o sul da Coréia. Essas tropas foram lideradas pelo general MacArthur. Esse general, de idéias radicais e anticomunistas , ordenou a invasão da região norte, penalizando duramente a população civil. A intervenção da China , aliada à Rússia , tornou o conflito extremamente violento. Os dois lados sofreram grandes perdas humanas. O general MacArthur sugeriu um bombardeio atômico, o que poderia provocar o frágil equilíbrio entre as potências antagônicas. Sua atitude desagradou o governo norte-americano, que o afastou da guerra. Sem conseguir solucionar o conflito , e para evitar maior sofrimento para o povo , foi mantida a divisão da Coréia, que dura até os dias atuais. O povo judeu, durante séculos nutriu esperanças de que um dia houvesse condições para a criação de um estado próprio , ideia que começou a se concretizar no final do século passado. Nessa época , surgiu na Europa um movimento que objetivava a criação de um lar nacional para os judeus espalhados pelo mundo. O lugar ideal para que isso acontecesse era, obviamente , dentro do território da Palestina e esse movimento chamou-se sionismo. Uma das causas principais que levaram ao surgimento e ao crescimento do movimento sionista foram as violentas e sistemáticas perseguições - muitas vezes estimuladas pelo governo - às comunidades judaicas que habitavam o império Russo. Em 1917, a causa sionista recebeu novo e importante impulso. Nesse ano, o ministro do exterior da Grã-Bretanha , lorde James Balfour , fez uma declaração oficial na qual afirmava que "o governo de Sua Majestade via com bons olhos a criação de um lar nacional judeu na Palestina , desde que isso não afetasse as comunidades não-judaicas da região". Essa frase , que dava o aval britânico à causa sionista , passou para a história com o nome de Declaração Balfour. A imigração judaica para a Palestina teve um novo impulso nas décadas de 30 e 40 , quando das perseguições aos judeus movidas pela Alemanha Nazista. A chegada de um número cada vez maior de judeus aumentou consideravelmente a animosidade árabe , e os conflitos entre as duas comunidades foram se tornando cada vez mais frequentes. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, o número de judeus que se dirigiu para a Palestina aumentou significativamente . As autoridades britânicas tentaram limitar a entrada de um contingente tão grande de imigrantes. Porém, o mundo estava muito chocado com as atrocidades que os nazistas tinham cometido contra os judeus antes e durante a guerra. Havia , portanto, um clima emocional extremamente favorável para a criação de um estado hebreu. Nessa época, os judeus já constituíam aproximadamente 30% dos habitantes da Palestina (no início do século não eram nem 10%).

O Conceito de Habitus



Habitus é outro conceito utilizado por Norbert Elias. É muito interessante porque , além de esclarecedor, estabelece uma ligação entre o pensamento de Elias e o do francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Para Elias , habitus é algo como uma segunda natureza , ou melhor , um saber social incorporado durante nossa vida em sociedade. Ele afirma que o destino de uma nação , ao longo dos séculos , fica sedimentado no habitus de seus membros. É ago que muda constantemente , mas não rapidamente , e , por isso, há equilíbrio entre continuidade e mudança. A preocupação de Bourdieu, ao retomar o conceito de Habitus, era a mesma de Elias : ligar teoricamente o indivíduo e sociedade. Não há diferença entre o que Elias e Bourdieu pensam em termos gerais , apenas na maneira de propor a questão. Para Bourdieu , o habitus se apresenta como social e individual ao mesmo tempo, e refere-se tanto a um grupo quanto a uma classe e, obrigatoriamente , também ao indivíduo. A questão fundamental para ele é mostrar a articulação entre as condições de existência do indivíduo e suas formas de ação e percepção, dentro ou fora dos grupos. Dessa maneira , seu conceito de habitus é o que articula práticas cotidianas - a vida concreta dos indivíduos - com as condições de classe de determinada sociedade , ou seja, a conduta dos indivíduos e as estruturas mais amplas. Fundam-se as condições objetivas com as subjetivas. Para Bourdieu , o habitus é estruturado por meio das instituições de socialização dos agentes (a família e a escola , principalmente) , e é aí que a ênfase na análise do habitus deve ser colocada , pois são essas primeiras categorias e valores que orientam a prática futura dos indivíduos. Esse seria o habitus primário , por isso mais duradouro- mas não congelado no tempo. À medida que se relaciona com pessoas de outros universos de vida , o indivíduo desenvolve um habitus secundário não contrário ao anterior , mas indissociável daquele. Assim vai construindo um habitus individual conforme agrega experiências continuamente. Isso não significa que será uma pessoa radicalmente diferente da que era antes, pois se modifica sem perder suas marcas de origem, de seu grupo familiar ou da classe na qual nasceu. Os conceitos e valores dos indivíduos (sua subjetividade) , segundo Bourdieu, têm uma relação muito intensa com o lugar que ocupam na sociedade. Não há igualdade de posições , pois se vive numa sociedade desigual. Por exemplo, no Brasil, teoricamente, todos podem ingressar na universidade, mas , de fato, as chances de que isso aconteça são remotas , porque há condições objetivas e subjetivas que criam um impedimento: a falta de vagas , as deficiências do ensino básico , um vestibular que elimina a maioria ou um pensamento como este : "Não adianta nem tentar, pois não vou conseguir", Ou este : "Para que ingressar em um curso superior se depois não terei possibilidade de exercer a profissão". Como se pode perceber , a Sociologia oferece várias possibilidades teóricas para a análise da relação entre indivíduo e sociedade. Esse é apenas um exemplo de como os sociólogos trabalham. Muitos autores analisam as mesmas questões e propõem alternativas a fim de que se possa escolher a perspectiva mais apropriada para examinar a realidade em que se vive e biscar respostas para as perguntas que se fazem. A diversidade de análises é um dos elementos essenciais do pensamento sociológico.

As Potências No Pós-Guerra



A Segunda Guerra deixou um mundo a ser reconstruído , cidades arrasadas, povos enfraquecidos. Uma grande tarefa foi empreendida : reurbanização , reorganização da vida social , pública e política , fixação de valores culturais para o novo período. As potências vencedoras da guerra apresentavam um quadro contrastante: -A Rússia , tida como a maior responsável pela vitória (perdeu 20 milhões de pessoas no conflito), estava à beira da ruína financeira. A miséria assolava o país e todos os setores necessitavam de urgentes reformas. -Os Estados Unidos da América , responsáveis pelo armamento moderno (nuclear) , que apressou o fim da guerra , tiveram poucas baixas e a felicidade de não ter seu território invadido. Por esse país ter entrado tardiamente na Segunda Guerra Mundial, sobrou-lhe capital. Era o único país em boas condições financeiras e que apresentava uma economia interna em expansão. Os dois países , Rússia e Estados Unidos , se uniram , embora diferissem em organização política e social . A Rússia , socialista , pregava o anti-imperialismo e a autonomia dos povos a partir das propostas das massas proletárias. Os Estados Unidos , com seu modelo capitalista , pregavam oportunidades iguais e ascensão segundo o mérito individual. Cada um dos países tinha seus interesses a defender: -A Rússia queria sair do isolamento em que a Revolução Socialista de 1917 a havia colocado ; portanto , sua luta era para conseguir nações que compartilhassem sua ideologia política e social. -Os Estados Unidos queriam assegurar o pleno desenvolvimento capitalista, com expansão de mercados consumidores. Na Conferência de Yalta , que reuniu os três maiores estadistas da época - Roosevelt, Stalin e Churchill - , decidiu-se a indenização devida pelos países perdedores. Stalin tratou de assegurar o domínio da Europa Oriental, conseguido pelos militares russos durante a guerra e que , por esse motivo , não poderia ser contestado. Dessa forma , a Rússia garantiu seu apoio ao sistema político. A Europa Ocidental foi dividida entre as outras potências. A Alemanha ficou ficou dividida em quatro zonas de influência : francesa , americana , russa e inglesa. Posteriormente , a influência foi limitada à hegemonia norte-americana e russa . A supremacia russa na Europa Ocidental provocou desconfiança nos países capitalistas. Essa situação se acentuou quando a Tchecoslovaquia quis libertar-se do modelo soviético e teve sua rebelião prontamente sufocada pelos russos.

Alfabeto



"Em 1500 a.C., a escrita hieroglífica egípcia e a escrita cuneiforme babilônia (herdada dos sumérios), justamente com a escrita chinesa do leste, eram as linguagens escritas mais importantes do mundo. Todos eram tremendamente complicadas e não havia motivo para que não permanecessem complicadas até hoje , como a chinesa. Entre egípcios e babilônios existiam os cananeus , que habitavam a costa oriental do mar Mediterrâneo . (Foram chamados fenícios pelos gregos.) Eram negociantes que, entre outras coisas , agiam como intermediários entre egípcios e babilônios. Era necessário que esses negociantes conhecessem tanto a linguagem egípcia como a babilônica e esta era uma tarefa realmente difícil. Um cananeu desconhecido resolveu simplificar a escrita inventando uma espécie de taquigrafia. Pensou que poderia dar um símbolo separado para cada um dos sons emitidos pelos seres humanos na linguagem falado. Assim, seria possível construir palavras de qualquer língua , usando esses símbolos sonoros, que já tinham sido usados pelos egípcios , que preservavam tal esquema para as sílabas ou para palavras completas. O  inventor cananeu tinha a ideia de que os sons-símbolos deveriam ser usados exclusivamente e que as palavras seriam construídas com eles combinados. Os dois primeiros símbolos dessa coleção foram o aleph (que era o símbolo usado para designar o boi) e o beth (símbolo que significava casa). Para os gregos , que passaram a adotar esse sistema , tornaram-se alpha e beta , e nós ainda conhecemos o sistema de símbolos como alfabeto. O alfabeto fenício , que foi o primeiro a ser usado, em 1500 a.C., revolucionou a escrita, tornando muito mais fácil ler e escrever ampliando portanto as oportunidades literárias. Essa é uma invenção que parece ter ocorrido somente uma vez na história humana. O alfabeto não foi inventado independentemente por qualquer outra sociedade. Todos os alfabetos em uso nos dias atuais (inclusive este em que está escrito e impresso este livro) descendem daquele primeiro alfabeto fenício."

ASIMOV , Isaaac. Cronologia das ciências e das descobertas . Rio de Janeiro : Civilização Brasileira , 1993. P.86.



Energética Elétrica


Em 2008 o Brasil contava com 1768 usinas para produção de energia em operação , com capacidade de 104.816 megawatts (MW). Desse total , 706 eram hidrelétricas de diversos tamanhos , e 1042 térmicas utilizando gás natural , biomassa e óleo diesel e combustível , duas eram nucleares e uma era solar. Há também usinas de energia eólica , com destaque no Ceará e Rio Grande do Sul , mas em 2008 as 17 usinas eólicas do Brasil foram responsáveis por somente 0,3% (273 MW) da eletricidade produzida no país . Entretanto , há tendência de crescimento do uso dessa fonte de energia limpa e renovável : em 2008 havia 22 usinas eólicas em construção - com potência total de 463 MW - e 50 projetos , com capacidade de 2400 MW , já outorgados e aguardando o início das obras.  As usinas hidrelétricas , que têm a maior capacidade instalada de produção no país , produzem energia limpa e barata .  Segundo o Ministério de Minas e Energia , o potencial hidrelétrico brasileiro é estimado em mais de 260 mil MW e a capacidade nominal instalada de produção estava , em 2008 , na casa dos 86 mil MW , ou seja , cerca de 30% do potencial disponível. Até o final da década de 1980, as hidrelétricas produziam cerca de 90% da eletricidade consumida no país , mas em 2008 essa participação tinha recuado para cerca de 73% , principalmente por conta da construção de usinas termelétricas movidas a gás natural e biomassa.  Uma termelétrica pode ser instalada em locais mais convenientes para seu aproveitamento econômico. Como vimos, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina a disponibilidade de carvão mineral determinou a instalação dessas usinas.   Há concentração de termelétricas que utilizam biomassa nas regiões de produção de álcool , principalmente em São Paulo , nas quais se utiliza o bagaço da cana-de-açúcar e, outras foram construídas ao longo dos gasodutos , com destaque para o Bolívia-Brasil. O maior potencial hidrelétrico instalado no Brasil está na bacia do Rio Paraná , onde , em 2009 , 72% da disponibilidade já foi aproveitada . Em seu rio principal localiza-se a usina de Itaipu , e destacam-se também os rios Grande , Paranapanema , Iguaçu e Tietê. Eles drenam a região onde se iniciou efetivamente o processo de industrialização brasileiro e que , além da demanda mais elevada , conseguiu exercer maior pressão política na alocação de recursos investidos em infraestrutura.  Maior potencial hidráulico disponível do país localiza-se nas bacias do Amazonas , onde somente 1% foi aproveitado , e Araguaia-Tocantins , com 44% de aproveitamento em 2008. Em Rondônia , no Rio Madeira , se localizarão duas usinas de médio porte planejadas para serem construídas a partir de 2009. Uma é Santo Antônio , licitada em 2007; a outra é Jirau , licitada em 2008 , ambas com cerca de 3 mil MW de potência. Um consórcio de empresas privadas realizou estudos de viabilidade técnica e ambiental para construção de muitas outras usinas na bacia Amazônica: planeja-se construir três usinas de de médio porte no Rio Tapajós; e a usina de Belo Monte , Rio Xingu, de grande porte, a maior delas , com potência de 11,233 MW (cerca de 2 /3 da capacidade de Itaipu). De 1950 até o início da década de 1980 foi fundamental a participação do Estado no planejamento e na produção de energia. A partir do final da década de 1980, o Estado vem se retirando da produção em diversos setores (como energia, telecomunicações transportes , siderurgia , mineração e petroquímica ), incentivando investimentos privados e concentrando sua ação na regulação e fiscalização por intermédio dos ministérios e das agências criadas para esse fim. Nesse contexto, o setor elétrico brasileiro (envolvendo a geração , a transmissão e a distribuição de eletricidade), que era quase totalmente controlado por empresas estatais federais e estaduais , começou a ser privatizado a partir de 1995. De 1964 , quando foi criada a Eletrobrás , Holding estatal de energia elétrica , até 1995 , os investimentos  utilizados na expansão do setor eram obtidos de três fontes: tarifas cobradas dos consumidores, impostos arrecadados pelos governos estaduais e federal e empréstimos tomados em instituições estrangeiras , que ampliavam nossa dívida externa. Em 1995 , o governo federal iniciou a privatização de parte das empresas controladas pela Eletrobrás por intermédio do Programa Nacional de Desestatização , criado a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), órgão regulador e fiscalizador do setor. Após a privatização, as empresas de energia elétrica , inclusive algumas estatais que não foram privatizadas , como a CEMIG, competem entre si para vender a energia produzida, que  é transmitida por um sistema de alta tensão para empresas que atuam exclusivamente na distribuição aos consumidores finais , residências , empresas, comércio , governos e outras instituições. Atualmente as empresas de energia elétrica- as privadas e as estatais que permaneceram - atuam nos três setores: geração, transmissão e distribuição.


Pleiotropia - Um Outro Olhar



Pleiotropia é a capacidade que tem um único par de alelos de produzir diversos efeitos fenotípicos simultâneos no mesmo indivíduo. Você pode observar facilmente que todos os camundongos brancos são extremamente dóceis e , ao contrário, todos os camundongos cinzentos são ariscos e indomesticáveis. Não existe exceção a essa regra. A explicação está no fato de que o mesmo par de alelos que responde pela cor da pelagem nesses animais também responde pelo grau de agressividade dos mesmos. Esse fenômeno foi observado inicialmente em ratos. Verificou-se que, entre eles , nasciam ocasionalmente indivíduos portadores de numerosas deformidades (traquéia estreita, costelas defeituosas , pulmões com pouca elasticidade, coração aumentado de volume , narinas imperduradas, focinho achatado etc.) . As experiências de cruzamento os mesmos resultados, mostrando tratar-se de herança por gene recessivo. Como o cortejo de características era indissociável, ocasionando a manifestação de um "tudo ou nada" , concluiu-se que havia a atuação de único par de genes , cuja função certamente inibiria alguma reação inicial. A partir dessa reação , outras reações ficariam impedidas de acontecer, justificando o conjunto de anomalias. Nas ervilhas , o mesmo par de genes que determina a manifestação de flores brancas também condiciona o aparecimento de um envoltório branco nas sementes. Na espécie humana , constituem exemplos de pleiotropia a síndrome de Laurene-Moon Biedl (obesidade , demência a hipoplasia genital por ação de um único par de alelos) e a síndrome de Marfan (Aracnodactilia , defeitos cardíacos e oculares , também por ação de um único par de genes). Em ratos , um gene pleiotrópico determina a cor da pelagem (com dominância para amarelo) e a letalidade (recessivo , só tendo expressividade em homozigose). É possível que muitos casos de aborto na espécie humana sejam explicados pela atuação de genes letais , como no caso dos ratos. O gene pleiotrópico pode "estimular" ou "impedir" a ocorrência de alguma reação inicial a partir da qual outras reações se desencadeiam ou fica impossibilitadas de acontecer.


A Sociedade Disciplinar E A Sociedade de Controle



Até aqui vimos análises sobre o poder e a política que privilegiam suas relações com o Estado. Mas existem pensadores que analisam a questão do poder e da política de modo diferente: não dão primazia às relações com o Estado, mas a elementos que estão presentes em todos os momentos de nossa vida. Entre eles, destacamos os franceses Michel Foucault (1926-1984) e Gilles Deleuze (1925-1995). Foucault se propôs analisar a sociedade com base na disciplina no cotidiano. Para ele , todas as instituições procuram disciplinar os indivíduos desde que nascem. Assim acontece na família , na escola , nos quartéis , nos hospitais , nas prisões , etc., pois o fundamental é distribuir , vigiar e adestrar os indivíduos em espaços determinados. Diz ele que, além dos aspectos institucionais ou até jurídicos dessas instituições, esse poder desenvolve-se por meio de gestos, atitudes e saberes. É o que chama de "arte de governar" , entendida como a racionalidade política que determina a forma de gestão das condutas dos indivíduos de uma sociedade. Nesse sentido , em seu livro "Microfísica do Poder", ele afirma : " nada é político, tudo é politizável, tudo pode tornar-se político". Seguindo as pistas de Foucault, Deleuze declara que vivemos ainda numa sociedade disciplinar , mas já estamos percebendo a emergência de uma sociedade de controle. A sociedade disciplinar é a que conhecemos desde o século XVIII. Ela procura organizar grandes meios de confinamento : a família , a escola , a fábrica , o exército e , em alguns casos , o hospital e a prisão. O indivíduo passa de um espaço fechado para outro e não para de recomeçar , pois em cada instituição deve aprender alguma coisa, principalmente a disciplina específica do lugar. Na sociedade disciplinar , a fábrica , por exemplo, é um espaço fixo e confinado onde se produzem bens. A fábrica concebe os indivíduos como um só corpo , com a dupla vantagem de facilitar a vigilância por parte dos patrões , que controlam cada elemento na massa, e de facilitar a tarefa dos sindicatos , que mobilizam uma massa de resistência. O que nos identifica , na escola no exército , no hospital , na prisão ou nos bancos , é a assinatura e o número na carteira de identidade e na carteira profissional, além de diversos outros documentos. A sociedade de controle está aparecendo lentamente , e alguns de seus indícios já são perceptíveis . Ela é como uma "prisão ao ar livre", na expressão do filósofo e sociólogo alemão Theodor Adorno . Os métodos de controle utilizados são de curto prazo e de rotação rápida , mas contínuos e eliminados. São permanentes e de comunicação instantânea . Como não têm um espaço definido , podem ser exercidos em qualquer lugar. Exemplos de modos de controlar as pessoas constantemente são as avaliações permanentes e a formação continuada. Outra forma de controle contínuo são os "conselhos" a respeito da saúde que estão presentes em todas as publicações , na televisão e na internet: " Não coma isso porque pode engordar ou aumentar o nível de colesterol ruim. Faça exercícios pela manhã ou pela tarde , desta ou daquela maneira , para ter uma vida mais saudável. Tome tal remédio para isso, ms não tome para aquilo". Os controles nos alcançam em todos os momentos e lugares. Não há possibilidade de fuga. Se na sociedade disciplinar o elemento central de produção é a fabricação , na de controle é a empresa , algo mais fluido. Se a fábrica já conhecia o sistema de prêmios , a empresa o aperfeiçoou como uma modulação para cada salário , instaurando um estado de eterna instabilidade e desafios. Se a linha de produção é o coração da fábrica , o serviço de vendas é a alma da empresa. O marketing é agora o instrumento de controle social por excelência - possui natureza de curto prazo e rotação rápida , mas também contínuo e ilimitado , ao passo que a disciplina é de longa duração, infinita e descontínua. O lugar do marketing em nossa sociedade é evidente , uma vez que somos todos vistos como consumidores. O convencimento é ao mesmo tampo externo (pela recepção da mensagem) e interno (pela própria natureza do convencimento). Ao ser interiorizada , a coerção afinal aparece como um imperativo. Se tudo pode ser comprado e vendido , por que não as consciências , os votos e outras coisas mais? A corrupção em todos os níveis ganhou nova potência. O que nos identifica cada vez mais é a senha. Cada um de nós é apenas um número , parte de um banco de dados de amostragem. A quantidade de senhas de que necessitamos para nos relacionar virtualmente com as pessoas ou com instituições é enorme e , sem elas , ficamos isolados. Se na sociedade disciplinar há sempre um indivíduo vigiando os outros em várias direções num lugar confinado, na sociedade de controle todos olham para o mesmo lugar. A televisão é um bom exemplo disso, pois milhares de pessoas estão sempre diante do aparelho. Na final do campeonato mundial de futebol em 2006, cerca de um bilhão e meio de pessoas estavam conectadas ao jogo.


Os Caminhos da Guerra Começam a Mudar



No verão de 1942, os caminhos da começaram a mudar em todas as frentes. No dia 28 de janeiro de 1942, o Brasil rompia relações com os países de Eixo. Em agosto de 1942, navios brasileiros , como Araraquara , Aníbal Benévolo, Itajiba, Baependi e Araras, foram torpedeados por navios alemães dentro e nossa águas territoriais. Isso porque o Brasil continuava abastecendo a França e a Inglaterra. No dia 22 de agosto , Getúlio Vargas e o ministro da guerra fizeram declaração de guerra ao Eixo. No norte da África, as tropas de Rommel , depois de conseguirem alguns êxitos , foram vencidas pelo general inglês Montgomery. os norte-americanos desembarcaram na África com a ajuda de alguns membros da resistência francesa na Argélia. No ano de 1943, as tropas anglo-americanas se uniram aos franceses da resistência e continuaram combatendo na África contra os nazi-fascistas, que se viram obrigados a abandonar o território africano. Graças a esse triunfo , o exército francês se incorporou aos aliados. O general De Gaulle formou o Comitê Francê de Libertação Nacional. Estabeleceu em Argel a capital da França livre. De lá começou a preparar-se para tomar novamente o poder na França. A Alemanha passou a ser fortemente bombardeada. Mais de 120 mil toneladas de bombas caíram sobre esse país. As forças anglo-americanas invadiram a Itália. O Brasil partiu para a Itália em auxílio dos americanos , com a FEB (força expedicionária Brasileira) , ob o comando do general Mascarenhas de Morais. A FEB utilizava a insígnia "A cobra está fumando" e a FAB (Força Aérea Brasileira) , a insígnia "Senta a pua". Os brasileiros tiveram vitórias em Monte Castelo Montese, Collechio Fornuovo. A resistência fascista foi pequena. Mussolini fugiu e, com o auxílio dos alemães , fundou , no norte da Itália, a República Social Italiana, governando por alguns dias.Os italianos se encontravam em crise interna. O fascismo de sucessivas derrotas , estava desprestigiado . O Grande Conselho Fascista decidiu anular os poderes do Duce e dar o poder ao rei Vítor Emanuel III. Mussolini foi preso pelas tropas de resistência e executado pelos próprios italianos, sendo fuzilado. Imediatamente , a Alemanha invadiu a Itália e proclamou a República de Saló. A Itália dividida entre fascistas e não-fascistas , até que, em junho de 1944, os aliados tomaram Roma . Em abril de 1945, a Itália capitulou definitivamente.



Das Questões Individuais às Questões Sociais


Podemos chamar de questões sociais alguns problemas que vão além de nosso dia a dia como indivíduos , que não dizem respeito somente a nossa vida privada, mas estão ligados à estrutura de uma ou de várias sociedades. É o caso do desemprego, por exemplo, que afeta milhões de pessoas em diversos grupos sociais. Um bom exemplo desse assunto é dado pelo sociólogo estadunidense C. Wright Mills (1915-1962), que escreveu o livro A imaginação sociológica (1959) . Mills considera que, se numa cidade de 100 mil habitantes poucos indivíduos estão sem trabalho , há um problema pessoal, que pode ser resolvido tratando as habilidades e potencialidades de cada um. Entretanto , se em um país com 50 milhões de trabalhadores 5 milhões não encontram emprego, a questão passa a ser social e não pode ser resolvida como um problema individual. Nesse caso , a busca de soluções passa por uma análise mais profunda da estrutura econômica e política dessa sociedade. Existem também situações que afetam o cotidiano das pessoas e que são ocasionadas por acontecimentos que atingem a maioria dos países: por exemplo , a crise de 1929 , que levou ao colapso todo o sistema financeiro mundial; a chamada Crise do Petróleo , em 1973, provocada pela elevação súbita dos preços da principal matéria-prima do mundo; o ataque , em 11 de setembro de 2001, às Torres Gêmeas em Nova York , que alterou substancialmente a relação dos Estados Unidos com os outros países e , principalmente , o cotidiano do cidadão estadunidense.  Podemos perceber , assim, que acontecimentos completamente independentes de nossa vontade nos atingem fortemente. No entanto, é importante destacar que, tanto em 1929 como em 1973 e em 2001, os eventos mencionados foram resultado de uma configuração social criada pelas decisões de algumas pessoas , que provocaram situações que foram muito além de suas expectativas. Essas situações , além de afetar relações políticas , econômicas e financeiras de todos os países , também prejudicaram indivíduos em muitos lugares , até na satisfação de suas necessidades , como o consumo de alimentos e de combustível. Esses pontos , que estão presentes na biografia de cada um de nós, fazem parte da história da sociedade em que vivemos e , muitas vezes , assumem forma ainda mais ampla. Tomar uma decisão é algo individual e social ao mesmo tempo, sendo impossível separar esses planos.


A Importância de Reciclar O Alumínio

Atualmente , milhões de toneladas de alumínio são gastas no mundo inteiro para fabricar recipientes ("latas") de refrigeran...